16 -December -2019
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Nepotismo socialista chegou aos cemitérios

O imperador da “geringonça”, o monarca deste reino socialista, o atual primeiro ministro português António Costa parece que já preencheu todas as vagas possíveis em instituições públicas tradicionais. Depois de ter tido a desfaçatez de nomear largas dezenas de familiares em funções públicas, incluindo pai, filha, marido e mulher no seu governo, agora alargou a promiscuidade das nomeações para os cemitérios.

O nepotismo socialista atingiu a assombração dos cemitérios! É surreal, e só possível nesta monarquia socialista, o que aconteceu muito recentemente, nas vésperas do 25 de abril, quando a Câmara Municipal de Lisboa (presidida por um socialista) quis celebrar um protocolo com a Associação dos Amigos dos Cemitérios, fundada em 2017 e impregnada de socialistas.

É óbvio que os camaradas de Costa, quando estão instalados e bem sentados na cadeira do poder tentam imitar o seu chefe nas nomeações, principalmente quando têm o poder de nomear alguém. Essa escolha recai sempre na família socialista! É assim no governo central, mas também é assim nas diversas instituições públicas espalhadas pelo país, como por exemplo as autarquias locais.  

Os apaniguados de Costa instalados na cadeira do poder camarário lisboeta apresentaram na assembleia municipal uma proposta para ser celebrado um protocolo, em que a câmara se propunha atribuir à Associação dos Amigos dos Cemitérios poderes para dinamizar iniciativas nos cemitérios da capital, como por exemplo: exposições, concertos, roteiros e outras. Mas também gerir o Centro Interpretativo do Cemitério dos Prazeres, homenagear personalidades sepultadas na cidade, desenvolver arquivos ou celebrar parcerias com diversas entidades.

Para além destas atribuições, a câmara ainda cedia um seu espaço no cemitério de Carnide para sede da referida associação, além de apoiar a divulgação das suas atividades. Embora não passasse de uma proposta de protocolo, o certo é que a Câmara Municipal de Lisboa já tinha atribuído um subsidio de dez mil euros, mesmo sem o protocolo ter sido aprovado.

A Associação dos Amigos dos Cemitérios tem nos seus órgãos diretivos, entre outros: Jorge Ferreira (fotógrafo de campanhas do PS e de eventos da Junta de Freguesia do Lumiar); Pedro Almeida (funcionário do PS no Parlamento); Inês César (sobrinha de Carlos César, presidente do PS), a sua mãe, Patrocínia Vale César (cunhada de Carlos César e deputada municipal do PS), e o seu pai, Horácio Vale César (irmão de Carlos César e ex-assessor de João Soares quando ele foi ministro da Cultura); João Soares (filho de Mário Soares, fundador do PS); Diogo Leão (deputado do PS); Filipa Brigola (assessora do grupo parlamentar do PS).

Facilmente se constata que as matreirices de Costa se espalham pelas diversas instituições dominadas pelos socialistas e espalhadas pelo país. É assim a monarquia socialista, a estender os seus tentáculos, com o intuito de dominar todas as instituições públicas. Sempre assim foi e sempre assim será!

Crónica escrita em 27/04/2019, para ser publicado no jornal “O Notícias da Trofa”, tendo em atenção as regras do novo acordo ortográfico.

Os populismos estão na moda

O populismo não é um fenómeno moderno, pois surgiu com especial dinamismo nos Estados Unidos da América no final do século XIX, embora seja no século XXI que tem tido as condições férteis para poder medrar e despontar com mais força e apoio popular. Este fenómeno político que está a alastrar com relativa facilidade por todo o mundo utiliza um discurso ideologicamente de confronto e tenta distinguir o povo que é bom, da elite que é corrupta.

Mais que uma ideologia, o populismo é uma estratégia que utiliza um discurso com mensagens políticas diretas, impregnadas de ódio às instituições existentes e ao poder político instalado. A sua retórica é simples e facilmente entendível pelo cidadão comum, com afirmações categóricas que lutam e lutarão pelos superiores interesses do povo contra a elite privilegiada, pela redistribuição da riqueza.

O populismo tem proliferado em países cuja governação é facilmente criticável, onde os partidos políticos de estruturas obsoletas que se instalam na cadeira do poder não conseguem responder cabalmente aos desafios atuais da sociedade. Muitos dirigentes dos partidos políticos tradicionais, quando instalados no poder, rapidamente se esquecem de quem os elegeu e das promessas eleitorais que fizerem, o que origina perderem a credibilidade junto dos seus eleitores e abrirem as portas ao populismo que promete novos caminhos, para o regresso a um passado que não pode voltar.

Existe populismo de esquerda e de direita e o populismo pode aparecer ao cidadão com uma linguagem mais conservadora defendendo valores morais tradicionais, como pode surgir com uma “roupagem” de esquerda apelando a atos de insubordinação e de rotura revolucionária. O populismo pode surgir em regimes democráticos como em regimes autoritários, mas tem mais portas abertas e cresce mais rapidamente nas democracias eleitorais.

Os populismos contêm um paradoxo na sua essência, pois são simultaneamente entusiastas dos regimes democráticos e inimigos da democracia: o populismo é democrático quando defende a regra da maioria, mas é contra a democracia quando rejeita os travões que o estado de direito democrático impõe, através de instituições independentes que garantem os direitos fundamentais, como a liberdade de expressão e outros. Para o populismo é inaceitável que a vontade do povo seja limitada.

Para a evolução das sociedades é importante que os cidadãos tenham ideias diferentes, mas mais importante é terem a possibilidade de expressar os seus pensamentos e discutir as suas opiniões, sem serem objeto de escárnio e inveja ou receberem ameaças e retaliações. Provavelmente, o populismo que tem vindo a alastrar um pouco por todo o mundo é a principal ameaça às democracias.

Crónica escrita em 27/04/2019, para ser publicado na “BIRD Magazine”, tendo em atenção as regras do novo acordo ortográfico.

Afinal ainda não saímos da austeridade

Ao fim de 4 anos de governação “geringonçada” e já no final da legislatura, o governo vem confirmar aquilo que sempre negou durante a governação socialista e apoiada pelos partidos de esquerda, os comunistas e os bloquistas: afinal ainda não saímos da austeridade. Foi preciso a “vedeta” do momento, o atual ministro das finanças e presidente do “Eurogrupo” (Mário Centeno) dizer isso mesmo a um jornal estrangeiro, o britânico “Financial Times”.

Por diversas vezes, o primeiro ministro e o ministro das finanças, assim como diversos dirigentes socialistas afirmaram, e até vociferaram vezes sem conta, que tínhamos saído da crise que governo anterior tinha provocado. Afinal foi preciso uma reportagem inglesa para desmentir tudo aquilo que os socialistas e seus aliados de esquerda andaram a dizer durante 4 anos. Só que já se sabia desta realidade, pois os investimentos na saúde, na educação e nas obras estruturantes do país estão completamente parados, desde que a “geringonça” chegou ao poder.  

Os verdadeiros culpados da crise que ainda vivemos tem rosto e nome: José Sócrates e os seus ministros e apoiantes, com António Costa à cabeça, que foi o seu número 2, no pior governo de sempre, em tempo de democracia: o governo «socrático». Estes governantes socialistas deixaram o país numa crise tão profunda, que tiveram de pedir ajuda internacional, que ainda hoje estamos a pagar.

Só por curiosidade: sempre que o país teve de pedir ajuda internacional, porque as finanças públicas estavam à beira da rotura (três vezes - 1977, 1981 e 2011), os governos que solicitaram ajuda eram chefiados pelo secretário geral do PS de então (Mário Soares - 1977 e 1981; José Sócrates - 2011). Depois, para «endireitar» as contas públicas, os partidos conservadores foram chamados a governar em tempo de crise, por isso é que foram sempre apelidados de “maus da fita”.

Foi na reportagem do “Financial Times”, que o atual ministro das finanças (Mário Centeno), admitiu que não houve uma “drástica” reversão na austeridade durante a governação liderada pelo PS e apoiada pelos partidos de esquerda. Mas também afirmou (pasme-se!): o governo atual fez mudanças durante a legislatura, mas não foram grandes mudanças relativamente ao que estava a ser feito pelo anterior executivo (PSD/CDS-PP) liderado por Pedro Passos Coelho, que ainda hoje, a esquerda diz que a culpa de se viver em crise é dele. 

Os socialistas, comunistas e bloquistas devem ter ficado com a cara e as orelhas a arder ao lerem as afirmações de Mário Centeno, o superministro das finanças portuguesas e presidente do “Eurogrupo”. Os fervorosos apoiantes da “Geringonça” andaram durante 4 anos a dizer mal do governo anterior e afinal o governo que apoiam fez as mesmas coisas que fez o governo de Passos Coelho.

No mesmo dia que saíram a público as afirmações de Centeno sai também uma notícia pouca abonatória para si e para a governação da “Geringonça”: o défice de 2019 vai ser o triplo do que diz o governo. Afinal a “vedeta” Centeno também falha nas suas previsões… e muito!

Crónica escrita em 13/04/2019, para ser publicado no jornal “O Notícias da Trofa”, tendo em atenção as regras do novo acordo ortográfico.

O passado que não tem futuro

A nossa mente está sempre em funcionamento a produzir e a emitir pensamentos voláteis, que estão em constante mutação e estão na base da maioria das nossas emoções negativas que condicionam o nosso viver, se passarmos o tempo numa atitude avaliativa que nos afasta da realidade e do que é verdadeiramente importante. Apenas o momento presente é real, enquanto o passado já não existe, não podemos regressar a ele, e o futuro é totalmente desconhecido, ainda não existe. 

A vida é feita de oportunidades, decisões e momentos que passam por nós a uma velocidade incrível. O tempo é tão inflexível, que nos pode roubar as oportunidades se não estivermos disponíveis mentalmente e se não formos suficientemente rápidos para agarrá-las de imediato, pois nunca sabemos se as oportunidades duram um segundo ou um ano, por isso precisamos de agarrá-las, antes que seja tarde demais.

São tantas as vezes que vivemos em sofrimento atroz, angustiados e sem poder segurar as lágrimas, só porque alimentamos no presente uma dor do passado; alimentamos culpas de situações do passado que já nada podemos fazer para alterar o que se passou. Precisamos de deixar (sem criticas autodestrutivas, sem choros, sem lamentações) o ontem no ontem; deixar o passado no lugar dele que é no passado; deixar para trás o que não nos faz falta e nos focalizarmos no presente, para que a nossa vontade de ser feliz seja alimentada e possa ser maior que o medo de sofrer de novo.

A vida está cheia de surpresas agradáveis e tem tantos momentos imperdíveis e tantas coisas maravilhosas para nos oferecer, para além de existirem muitas pessoas a quererem fazer parte do nosso presente, por isso não devemos deixar que as coisas que nos sufocam, que as coisas más do nosso passado atrapalhem a nossa felicidade. Não deixemos que o passado que não tem futuro atrapalhe o presente e retire o prazer e a alegria de viver em paz e saborear o momento que passa.

Em cada curva da vida há um desafio novo que não se repete, por isso precisamos de estar bem atentos e de mente aberta, para que possamos agarrar com sabedoria e serenidade o momento que passa e vivenciar até à exaustão, com alguma fantasia e muita imaginação, esse instante que passa a voar. É importante para a nossa harmonia e saúde aprender a prestar atenção a cada momento que a vida nos oferece, para que possa ser vivido na plenitude.

Se deixarmos os pensamentos seguirem o seu caminho, sem qualquer tipo de julgamento ou avaliação e se ficarmos focados e dermos toda a atenção ao momento presente e valorizarmos as coisas boas que com que a vida nos presenteia, quase sem nos apercebermos os pensamentos negativos acabarão por desaparecer. É assim que podemos viver mais felizes. 

Nós nascemos para ser feliz e não nos podemos esquecer que o valor maior da nossa existência é a felicidade, embora a felicidade permanente seja uma falácia, não existe. A felicidade é um conjunto de momentos felizes. Quantos mais momentos felizes tivermos mais felizes seremos, por isso é que é preciso aprender a viver o momento presente deixando fluir o que não se pode mudar. A felicidade é um caminho que escolhemos seguir e as pessoas que escolhemos para nos acompanhar.

As pessoas mais felizes recordam o seu passado com gratidão; alegram-se com o seu presente e olham para o futuro sem qualquer ansiedade ou medo. O futuro é construído a cada instante da vida, com as nossas escolhas e decisões do momento.

Crónica escrita em 13/04/2019, para ser publicado na “BIRD Magazine”, tendo em atenção as regras do novo acordo ortográfico.

Músicas da Revolução

Neste mês de abril é comemorado o 45º aniversário do 25A, a Revolução dos Cravos, como ficou conhecido o golpe militar que derrubou a ditadura do Estado Novo, que durou quase meio século. O Estado Novo foi assim apelidado por António Oliveira Salazar, que governou Portugal durante quase quatro décadas (de 1932 a 1968). Marcello Caetano foi o último Presidente do Conselho de Ministros do Estado Novo (1968 até 25 de abril de 1974).

Em 1974 a rádio foi crucial para o êxito que o 25 de Abril alcançou. A Rádio Clube Português foi transformada no posto de comando do MFA - Movimento das Forças Armadas e ficou conhecida como a “Emissora da Liberdade”. A canção “E Depois do Adeus” foi a primeira canção que serviu de senha para o 25 de abril. A canção foi cantada no Festival RTP da Canção, do qual saiu vencedora. Representou Portugal, a 6 de abril, no Festival Eurovisão ficando em último lugar, com apenas 3 pontos. A transmissão desta canção foi feita nos Emissores Associados de Lisboa, às 22h 55m do dia 24 de abril.

A razão da escolha desta canção é clara: não tendo conteúdo político (tipicamente uma canção de amor dos anos 1970) e sendo uma música em voga na altura, não levantaria suspeitas. Podia a revolução ser cancelada, se os líderes do MFA concluíssem que não havia condições efetivas para a sua realização. Embora pareça remeter para o adeus ao regime do Estado Novo, a canção em si é uma balada sem conteúdo político. A letra da canção é sobre um homem que se encontra perdido depois do fim de uma intensa relação amorosa, provavelmente um primeiro amor. 

A letra da canção foi escrita com a escolha de pequenas frases das cartas que José Niza enviava à sua mulher, Isabel, quando estava em Angola, como militar, na Guerra Colonial. No meio do seu vazio, ele conclui que o amor traz felicidade e sofrimento ("Amar é ganhar e perder"), ao ganhar um novo relacionamento segue-se o perdê-lo. Os autores da canção “E Depois do Adeus”, que serviu de senha para o 25 de abril foram: José Niza (letra); José Calvário (música) e Paulo de Carvalho (cantor).

A ideia do Otelo Saraiva de Carvalho (o estratega do 25A) era que a primeira senha fosse o "Venham Mais Cinco", de José Afonso. Mas foi o jornalista João Paulo Diniz que o convenceu de que essa canção, de um autor proibido pelo regime poderia levantar suspeitas e sugeriu "E Depois do Adeus", que poderia ser tocada sem soar qualquer alarme.

A canção “Grândola, Vila Morena” de Zeca Afonso foi a segunda senha e o sinal efetivo de saída dos quartéis. E deveria ouvir-se mais tarde, entre a meia noite (00H00) e a uma hora (01H00), do dia 25 de abril de 1974, através do programa da Rádio Renascença. A canção deveria ser transmitida com a seguinte sequência: leitura da estrofe do poema (Grândola Vila Morena / Terra de fraternidade / O povo é quem mais ordena / Dentro de ti ó cidade). A canção foi transmitida no programa “Limite” da Rádio Renascença, pelo locutor de serviço Manuel Tomás, à meia noite e vinte (00H20M). A transmissão na emissora católica, de uma música claramente política de um autor proibido daria a certeza aos militares revoltosos de que já não havia volta atrás, que a revolução era mesmo para arrancar.

"Grândola Vila Morena" foi escrita por José Afonso em 17 de maio de 1964, praticamente dez anos antes da revolução, quando conduzia um automóvel com que regressava a Lisboa, acompanhado pelos guitarristas Fernando Alvim e Carlos Paredes, depois de ter atuado na inspiradora vila alentejana de Grândola. O tema seria depois gravado em França, em 1971 e aqueles passos que se ouvem no início não são de soldados, pois foram captados em estúdio numa espécie de encenação do tipo de ambiente criado pelos grupos corais alentejanos. 

Estas foram as verdadeiras canções de abril.

Crónica escrita em 30/03/2019, para ser publicado na “BIRD Magazine”, tendo em atenção as regras do novo acordo ortográfico.