18 -August -2019
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É urgente a regeneração da democracia. Antes que seja tarde!

É cada vez mais evidente o afastamento dos cidadãos da vida política, o descrédito nas instituições, os laços de solidariedade que se enfraquecem, os partidos políticos que se fecham sobre si mesmos e funcionam de forma pouco transparente e muito centralizados na figura do líder, a seleção dos deputados que é quase monopólio das cúpulas partidárias. Tudo isto, e não só, tem fragilizado a democracia, que continua a dar sinais de ter entrado numa profunda agonia. 

A história da democracia é marcada por períodos de avanços e recuos, mas é interessante verificar que o remédio para as maleitas da democracia estão fora do receituário económico e financeiro: o remédio está dentro da Política. Por isso é que é um ato de Cidadania darmos os nossos contributos, pois está nas nossas mãos a regeneração da Democracia! 

O que repugna muitos cidadãos não é a política. A política é altamente nobre e até pode ser exaltante. O que repugna muitos cidadão é apenas certa política e certos políticos. E a democracia o que precisa é de melhores políticos.

Deveria existir um verdadeiro pacto de regime entre os partidos que se queiram regenerar e a sociedade civil, para ser repensado o sistema eleitoral, o funcionamento e o financiamento dos partidos, mas também o exercício do poder e o papel importante da oposição, pois todos os partidos são importantes, para além das práticas normativas e da ética, que tenha como base a ação humana na política. A regeneração da política deve ser uma regeneração mais ética do que técnica.

A democracia não se esgota nos partidos políticos, pois há mais vida democrática para lá dos partidos, que são povoados por elites políticas que se esquecem para o que foram eleitos, principalmente fora dos períodos eleitorais. Só não se esquecem é dos seus familiares, amigos e apaniguados. Muitos deles são uns “figurões” que vão ajudando a aniquilar a democracia. 

Como tem acontecido no passado é sempre o povo a pagar os desmandos de certos políticos e de muitos outros «figurões», que proliferam no mundo da política, como vermes famintos de sede que chafurdam nas poças efémeras do compadrio, da fraude e da corrupção. São os tais políticos, que estão impregnados de ideologia arcaica e são hábeis no “chico espertismo”. Estes “figurões” estão a aniquilar a democracia, com o beneplácito dos seus partidos. É tudo “gente boa”!

Atualmente, o divórcio existente entre os cidadãos e a política é nefasta para a democracia e abre as portas a certos “figurões” e a certas elites políticas.  A democracia não é perfeita, nem pouco mais ou menos, mas nós também não somos, por isso é necessário defender a democracia para a melhorar e nunca para a aniquilar. 

Não se pode esquecer que o principal remédio disponível para regenerar e desenvolver a democracia está dentro da política, embora seja óbvio que o populismo que tem vindo a alastrar um pouco por todo o mundo seja a principal ameaça às democracias. Está nas nossas mãos a regeneração da Democracia. É urgente, antes que seja tarde demais!

Crónica escrita em 19/01/2019, para ser publicado na “BIRD Magazine”, tendo em atenção as regras do novo acordo ortográfico.

Tratamento VIP na prisão, por que carga de água?

A Constituição portuguesa consagra o princípio da igualdade, onde está bem claro que “todos os cidadãos são iguais perante a lei. Mas também está bem explicito que “ninguém pode ser privilegiado, beneficiado, prejudicado, privado de qualquer direito em razão das convicções politicas ou ideológicas, situação económica ou condição social”.

Por tudo isto é que é conveniente saber se a lei trata de modo desigual o que é essencialmente igual e saber se o tratamento desigual está justificado do ponto de vista jurídico-constitucional. Só que, o sistema da justiça, que se quer mostrar justo e igualitário, funciona a dois tempos, um para os ricos e outro para os pobres.

A justiça em Portugal também é discriminatória, em termos de encargos e de custas dos tribunais, que impedem o acesso à justiça de um número cada vez maior de pessoas em situação de pobreza, que também são impedidas de recorrer a recursos a instâncias superiores, pois só os ricos têm possibilidades financeiras a esses recursos. Esta realidade tem sido criticada com veemência, por organismos como a Amnistia Internacional.

A descriminação na justiça também se alarga até às prisões, com reclusos (uma minoria) a terem tratamento especial, a tratamento VIP (da expressão inglesa “Very Important Person” – pessoas muito importantes) e os restantes a terem um tratamento muitas vezes desumano. A grande maioria dos reclusos estão alojados em condições pouco saudáveis, devido à sobrelotação das prisões, que estão a funcionar a 110% da sua capacidade.

A cadeia dos reclusos, a quem o sistema concede "especiais medidas de proteção" vai deixar de ser em Évora e vai mudar-se para Leiria. Os reclusos sujeitos a “especiais medidas de proteção" são membros das forças de segurança e de organismos da função pública, mas também políticos, como foi o caso de José Sócrates e mais recentemente Armando Vara.

A medida proposta pelo Ministério da Justiça prevê a melhoria das instalações e um aumento da sua capacidade, que vai implicar um investimento de 4,3 milhões de euros, para que os designados presos VIP sejam “separados da restante população reclusa”. Mas será que se justifica tal investimento quando se aponta dificuldades financeiras para justificar a contratação de apenas 200 novos guardas prisionais, apesar de se prever a saída de mais de 900 guardas por reformas, nos próximos anos?

A referida medida de melhoria das instalações é justificada oficialmente pela necessidade de separar os reclusos da restante população, por questões de segurança. Alguns destes reclusos designados VIP são «figurões», que proliferaram no mundo da política, como vermes famintos de sede, que chafurdaram nas poças efémeras do compadrio, da fraude e da corrupção, com o beneplácito dos seus partidos. É tudo “gente boa”, que merece tal investimento e proteção!

Crónica escrita em 19/01/2019, para ser publicado no jornal “O Notícias da Trofa”, tendo em atenção as regras do novo acordo ortográfico.

Não há que ter medo da liberdade de expressão

Quanto mais culta e evoluída for uma sociedade, um país, uma nação, menos portas se abrirão para os extremismos patéticos e para as intolerâncias bacocas, que minam a democracia e a liberdade. Em Portugal, um país de brandos costumes, os extremismos têm um significado eleitoral muito residual, excetuando os bloquistas que engordaram com o emagrecimento dos socialistas, só que estão de novo a definhar.

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Escrevo para o leitor, mas também para mim

Esta já longa caminhada, a desbravar os caminhos penosos, mas gostosos, de escrita para a “BIRD Magazine” teve o seu começo há quase três anos. Já lá vão mais de setenta quinzenas, que originaram mais de sete dezenas de crónicas, onde ilustrei o pensamento e trabalhei a palavra, num fervilhar caótico de vontades e desejos.

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O meu pedido de Natal: uma estratégia de combate à pobreza

A pobreza é um fenómeno multidimensional, que atinge números verdadeiramente pornográficos, pois existem mais de 2.000 milhões de pessoas em todo o mundo, que são considerados pobres. Infelizmente, estes números têm vindo a aumentar com o agravamento de indicadores sociais e de saúde, principalmente em países que possuem uma economia subdesenvolvida ou em desenvolvimento.

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