18 -August -2019
Adicionar aos Favoritos

Está a chegar o folclore eleitoral

Nos próximos três anos, os portugueses vão ser convidados a participar em seis atos eleitorais seguidos, com as seguintes eleições: Parlamento Europeu; Regionais da Madeira; Assembleia da República; Regionais dos Açores; Presidente da República; Eleições Autárquicas, no segundo semestre de 2021. São muitas eleições, num curto espaço de tempo.

Está a chegar o folclore eleitoral, que são as campanhas eleitorais, com muito comício, muito porco no espeto, muita música pimba e não só, muita gafe, muito marketing e muitas propostas cheias de nada. Vai ser uma permanente “festa” colorida, com muito ruído e muito dinheiro consumido.

A campanha eleitoral já começou há algum tempo, embora a campanha oficial para o Parlamento Europeu só deveria começar 12 dias antes da data das eleições, que serão no nosso país no dia 26 de maio. O Parlamento Europeu é a única instituição europeia eleita por sufrágio direto.

As novas regras sobre a composição do Parlamento Europeu entrarão em vigor nas próximas eleições europeias e Portugal volta a eleger 21 eurodeputados. Atualmente, o Parlamento Europeu tem 751 eurodeputados, mas com a saída do Reino Unido (Brexit) foram atribuídos 27 dos 73 lugares ocupados por deputados do Reino Unido a outros Estados-Membros, ficando 46 de reserva para futuros alargamentos.

 São mais de 360 milhões de pessoas que escolhem os seus representantes no Parlamento Europeu para os próximos cinco anos. Todos os cidadãos da União Europeia (EU) com idade igual ou superior a 18 anos - ou até mesmo 16 anos em alguns países - podem votar nas eleições europeias.

Quando o Parlamento Europeu preparou a sua proposta sobre a distribuição de eurodeputados em 2018 foi discutida a hipótese de ser criado um círculo eleitoral comum em todo o território da UE, que votaria para listas eleitorais transnacionais, para além dos lugares já atribuídos a cada Estado-Membro. No entanto, a iniciativa foi rejeitada em plenário. 

Com o alargamento a novos países na União Europeia deu-se um efeito estatístico muito curioso: de país pobre passamos a país remediado e de país pequeno passamos a ser um país de média dimensão. Agora na União Europeia é mais difícil fazer ouvir a “voz de Portugal”, por isso vai ser preciso sermos muito criteriosos e escolher os melhores, aqueles que têm capacidades de enfrentar os desafios que se levantam no seio da UE.

O que se deseja é que no decorrer das campanhas eleitorais não venham inaugurações e anúncios de obras e que nos debates entre candidatos ao Parlamento Europeu se discuta os verdadeiros assuntos europeus. Para os debates da política interna vamos também ter as eleições legislativas, que estão marcadas para o próximo dia 6 de outubro, que é o fórum certo para se discutir o mandato da “geringonça”. 

Crónica escrita em 16/03/2019, para ser publicado no jornal “O Notícias da Trofa”, tendo em atenção as regras do novo acordo ortográfico.

A “arte” de falar em público

Num estudo recente, uma percentagem significativa de pessoas inquiridas (45%) disse ter medo de falar em púbico, só depois é que veio o fogo, a claustrofobia e outros medos. A realidade mostra que 3 em cada 4 pessoas tem glossofobia, o medo de falar em público, que se inclui entre as situações que mais criam medo, inibições, ansiedade e nervosismo.

São poucas as pessoas que conseguem enfrentar um público sem sentir um friozinho na barriga, as mãos suadas, o coração a bater bem forte e um pavor que percorre cada centímetro da pele. Sobe o sangue à cara e começamos a tremer ou, pior que isso, adotamos um tique extremamente irritante que não tínhamos há momentos, para além do pensamento se tornar lento e confuso e até nos esquecermos do discurso que tínhamos tão bem preparado e ensaiado. 

  Quando se fala em público é importante que os gestos e as posturas sejam naturais. Não existe técnica que possa ser mais importante que a naturalidade. Deve-se evitar os maneirismos, como por exemplo: torcer os dedos; mexer na roupa; estalar os dedos; esfregar as mãos e bater palmas. 

O contacto visual deve ser mantido com cada um dos membros da audiência, ou em cada direção, o mais frequentemente possível; não se deve utilizar roupas apertadas na cintura e no pescoço; deve-se evitar falar muito alto ou gritar; sussurrar também exige um esforço adicional das cordas vocais. Fumar muito faz mal à voz. Beber um pouco de água para repor a hidratação e nos intervalos comer maçãs, que são benéficas para a voz e ajudam a combater a secura.

 Devem ser pronunciadas bem as palavras que se querem transmitir, pois ao pronunciar bem uma palavra atinge-se o objetivo importante que é fazer com que a fala seja mais clara e compreensível.  A velocidade da fala deve ser apropriada para a mensagem ser bem transmitida e a respiração deve ser feita devagar e profundamente, para melhorar o fluxo de oxigénio para o corpo e, assim, o fluxo de sangue para o cérebro.

Para se cativar e entusiasmar a assistência é fundamental jogar com vários tipos de entoação, como por exemplo: se se quiser chamar a atenção para um aspeto ou ideia principal, deve subir de tom, caso se queira criar um clima de cumplicidade baixa-se o tom, como que a falar em segredo com cada uma das pessoas que está no público.

É preciso transmitir entusiasmo, convicção e confiança, assim como dar cor às apresentações usando exemplos e metáforas e evitar gíria e linguagem pouco usada. A exposição dever ser dividida em três partes: primeiro diz-se o que se vai dizer; depois diz-se o que se tem para dizer e no fim diz-se aquilo que se disse. Sempre com clareza, força e eficácia. A “arte” de falar em público é uma coisa que se aprende e que se vai aperfeiçoando. 

Crónica escrita em 16/02/2019, para ser publicado na “BIRD Magazine”, tendo em atenção as regras do novo acordo ortográfico.

Comunicar com assertividade

A comunicação consiste no processo de transferência de ideias, informações, conhecimentos, sentimentos, emoções ou experiências entre pessoas tornando comum o conhecimento. A comunicação é um elemento fundamental da nossa vivência e é através dela que conseguimos aprender e evoluir.

Comunicação não é aquilo que dizemos, mas aquilo que o outro entende daquilo que foi dito, pois o universo de significações é variável em função de fatores individuais, como as aprendizagens, experiências, personalidades, valores, culturas e vivências. Por isso os conflitos são uma constante no processo comunicacional: nós dizemos uma coisa e o nosso interlocutor entende outra. Comunicação é a arte de ser entendido.

Uma das razões pelas quais as pessoas não escutam competentemente é o diferencial entre a capacidade de falar e de pensar: o falante processa no cérebro cerca de 150 palavras num minuto; o cérebro do ouvinte consegue lidar com cerca de 600 palavras num minuto. Consequentemente, o ouvinte ocupa o “espaço livre” do cérebro com outros pensamentos, assim originando distrações que o desviam do que está a ser proferido. 

Por tudo isto é que é tão importante a forma como se comunica, como a forma que se escuta. Os estilos existentes na comunicação são os seguintes:

- Agressividade: violação dos direitos dos outros, justificada pelo desejo de dominar o outro; só se tem em conta o nosso próprio interesse; não se tem em conta o interesse dos outros; 

- Passividade: este comportamento evidencia ansiedade, reduzindo o impacto da mensagem que está a ser transmitida verbalmente. Não se tem em conta o nosso próprio interesse; só se tem em conta o interesse dos outros;

- Assertividade: este comportamento implica dois tipos de respeito: o respeito por si próprio e o respeito pelos outros. Os comunicadores assertivos fazem valer os seus direitos sem negar os direitos dos outros.

A assertividade na comunicação melhora a capacidade de expressão e a imagem social; fomenta o respeito pelas outras pessoas; evita conflitos e ajuda a resolver confrontos; aumenta a autoconfiança. O estilo de comunicador assertivo gera um ambiente mais apelativo para uma comunicação eficaz, que não envolve necessariamente a concordância entre os interlocutores, mas a transferência, a interpretação e a partilha de significados, isto é a compreensão exata. 

Comunicar com assertividade caracteriza-se por respeitar os sentimentos, as necessidades, os desejos e as opiniões dos outros. Um comunicador assertivo afirma o seu eu e a sua autoestima; demonstra segurança; sabe o que quer e o que pretende alcançar; expressa as suas necessidades ou preferências e opiniões de forma direta, sem ser hostil para o interlocutor. 

Crónica escrita em 02/02/2019, para ser publicado na “BIRD Magazine”, tendo em atenção as regras do novo acordo ortográfico.

Foi há quase duas décadas que a Trofa ficou mais pobre

A “Linha de Guimarães” era uma linha férrea de serviço maioritariamente urbano, que começava na Estação Ferroviária de Porto/Trindade e terminava em Fafe. Em 31 de dezembro de 1883 entrou em funcionamento o primeiro troço – Trofa a Vizela -, em bitola métrica, com a saída de um comboio inaugural formado na Estação da Trofa, embora a linha na sua totalidade só foi inaugurada em 30 de outubro de 1938.

Bitola métrica é a denominação que se dá às ferrovias cuja bitola seja igual a 1.000 mm, mais estreita do que a bitola internacional e só utilizada em algumas linhas secundárias da ferrovia portuguesa. A bitola é a largura determinada pela distância medida entre as faces interiores das cabeças de dois trilhos 

Embora o primeiro troço, entre a Trofa e Vizela, tenha entrado ao serviço em 31 de dezembro de 1883, a linha só chegou a Guimarães a 14 de abril de 1884 e a Fafe em 21 de julho de 1907. O troço até à Trindade foi inaugurado em 30 de outubro de 1938. 

No ano de 1986, o troço entre Guimarães e Fafe foi totalmente encerrado ao tráfego ferroviário, enquanto que o troço do Porto-Trindade à Trofa foi encerrado entre 2001 e 2002 para ser parcialmente substituído pelo metro de superfície. Atualmente a “Linha de Guimarães” apenas tem em funcionamento o troço entre Lousado (V. N. Famalicão) e Guimarães.

No dia 14 de fevereiro de 1998, os comboios antigos da via estreita foram substituídos por modernas automotoras elétricas. Passados poucos anos, em 24 de fevereiro de 2002 foi surripado ao Concelho da Trofa, o meio de transporte habitual de uma parte significativa de trofenses, o comboio da via estreita, com a promessa de ser instalado no seu canal o metro de superfície. Quase duas décadas depois, nem comboio nem metro de superfície. Não foram as populações que pediram para retirar o comboio e substitui-lo pelo Metro! Foi o poder político que assim o desejou!

As obras de conversão do metro de superfície acabaram por só avançar entre a Senhora da Hora e o ISMAI (Maia). Este troço, que ficou concluído em março de 2006 foi integrado na Linha C do metro. 

Em 2010 a empresa Metro do Porto decidiu retirar do seu plano de atividade o prolongamento, de poucos quilómetros, do ISMAI até à Trofa, que esteve projetado para a 1ª fase. Embora tenha sido anunciada oficialmente a abertura do concurso público para a conclusão da obra, numa visita ao Concelho da Trofa, por Ana Paula Vitorino, que era, na época, a secretária de Estado dos Transportes, do governo de José Sócrates e atual ministra do Mar, do governo de António Costa.

Foi há quase duas décadas que a Trofa ficou mais pobre. As populações das freguesias a poente e a sul do Concelho da Trofa (Muro, Alvarelhos, Guidões e Santiago de Bougado) ficaram sem o seu meio de transporte habitual, que utilizavam há muitas dezenas de anos. Estas freguesias fazem parte integrante do Concelho da Trofa, por isso é que a Trofa ficou mais pobre, quando lhes foi surripiado o comboio da via estreita. Uma vergonha nacional.

Crónica escrita em 16/02/2019, para ser publicado no jornal “O Notícias da Trofa”, tendo em atenção as regras do novo acordo ortográfico.

Os desmandos políticos na CGD

A Caixa Geral de Depósitos (CGD) é um banco público, que teve no passado, e vai continuar a ter no futuro, uma importância indesmentível na saúde económica e financeira do país. A CGD tem sido um verdadeiro pilar financeiro do país, quanto ao crédito concedido à economia, pois continua a ser o principal banco português e o que mais apoia a economia, as empresas e as famílias.

Só que os desmandos políticos na CGD têm sido, nos últimos anos, uma constante originando a que o seu nome tenha andado nas «bocas do mundo», pelos piores motivos. Foram detetados riscos de fraude e erros de gestão, na concessão de crédito e não só, que em devido tempo foi alertada a tutela governamental e o Banco de Portugal (BdP), só que estas entidades oficiais não deram a devida atenção a este alerta, e nada fizeram.

O risco de fraudes e erros de gestão na CGD já tinham sido identificados pelo órgão de fiscalização do banco desde 2007, mas os alertas, inclusive de falhas nos procedimentos internos, que se traduziam num aumento grave da exposição da CGD ao risco, não tiveram a devida atenção e acompanhamento até 2014. Foi um «fartar, vilanagem» durante sete anos consecutivos, pois o Estado ignorou todos esses alertas. 

O alerta do risco de fraudes e erros na gestão da CGD começou na administração liderada por Carlos Santos Ferreira, mas o aviso não mereceu a devida atenção do governo da altura, que era chefiado por José Sócrates, o pior primeiro-ministro que Portugal teve em democracia. Mas também não mereceu a devida atenção por parte do BdP, que era liderado por Vítor Constâncio.

Só nas 25 maiores operações de financiamento concedidos pela CGD, no referido período de sete anos, o banco público perdeu a quantia de 1,3 mil milhões de euros dos 2 mil milhões de euros concedidos. Mas também nos créditos concedidos para financiar a compra de ações, a CGD emprestou 788 milhões de euros e perdeu 520 milhões de euros. 

O banco público também perdeu com financiamentos de projetos público-privados. Só em quatro destes projetos, referentes a autoestradas perdeu 176 milhões de euros, de um total de 256 milhões de euros financiados. A CGD serviu para muitos políticos corruptos praticarem autênticos crimes e desmandos sem conta. São quantias astronómicas que o banco público perdeu (ou seja: todos nós perdemos!), devido a um bom punhado de gestores que passaram pela CGD, em cada mandato, e foram solidários, incompetentes e displicentes na gestão da causa pública. 

Entre 2000 e 2015, um total de 13 ex-governantes foram administradores da CGD. Os mentecaptos que estiveram na ruína do banco público são fáceis de identificar (os conselhos de crédito têm atas) e devem ser responsabilizados e condenados, urgentemente. Os portugueses têm direito a um apuramento destes desmandos políticos praticados na CGD, mas também de quem permitiu e «fechou os olhos» a estes atos criminosos.

Crónica escrita em 02/02/2019, para ser publicado no jornal “O Notícias da Trofa”, tendo em atenção as regras do novo acordo ortográfico.