19 -August -2019
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O passado que não tem futuro

A nossa mente está sempre em funcionamento a produzir e a emitir pensamentos voláteis, que estão em constante mutação e estão na base da maioria das nossas emoções negativas que condicionam o nosso viver, se passarmos o tempo numa atitude avaliativa que nos afasta da realidade e do que é verdadeiramente importante. Apenas o momento presente é real, enquanto o passado já não existe, não podemos regressar a ele, e o futuro é totalmente desconhecido, ainda não existe. 

A vida é feita de oportunidades, decisões e momentos que passam por nós a uma velocidade incrível. O tempo é tão inflexível, que nos pode roubar as oportunidades se não estivermos disponíveis mentalmente e se não formos suficientemente rápidos para agarrá-las de imediato, pois nunca sabemos se as oportunidades duram um segundo ou um ano, por isso precisamos de agarrá-las, antes que seja tarde demais.

São tantas as vezes que vivemos em sofrimento atroz, angustiados e sem poder segurar as lágrimas, só porque alimentamos no presente uma dor do passado; alimentamos culpas de situações do passado que já nada podemos fazer para alterar o que se passou. Precisamos de deixar (sem criticas autodestrutivas, sem choros, sem lamentações) o ontem no ontem; deixar o passado no lugar dele que é no passado; deixar para trás o que não nos faz falta e nos focalizarmos no presente, para que a nossa vontade de ser feliz seja alimentada e possa ser maior que o medo de sofrer de novo.

A vida está cheia de surpresas agradáveis e tem tantos momentos imperdíveis e tantas coisas maravilhosas para nos oferecer, para além de existirem muitas pessoas a quererem fazer parte do nosso presente, por isso não devemos deixar que as coisas que nos sufocam, que as coisas más do nosso passado atrapalhem a nossa felicidade. Não deixemos que o passado que não tem futuro atrapalhe o presente e retire o prazer e a alegria de viver em paz e saborear o momento que passa.

Em cada curva da vida há um desafio novo que não se repete, por isso precisamos de estar bem atentos e de mente aberta, para que possamos agarrar com sabedoria e serenidade o momento que passa e vivenciar até à exaustão, com alguma fantasia e muita imaginação, esse instante que passa a voar. É importante para a nossa harmonia e saúde aprender a prestar atenção a cada momento que a vida nos oferece, para que possa ser vivido na plenitude.

Se deixarmos os pensamentos seguirem o seu caminho, sem qualquer tipo de julgamento ou avaliação e se ficarmos focados e dermos toda a atenção ao momento presente e valorizarmos as coisas boas que com que a vida nos presenteia, quase sem nos apercebermos os pensamentos negativos acabarão por desaparecer. É assim que podemos viver mais felizes. 

Nós nascemos para ser feliz e não nos podemos esquecer que o valor maior da nossa existência é a felicidade, embora a felicidade permanente seja uma falácia, não existe. A felicidade é um conjunto de momentos felizes. Quantos mais momentos felizes tivermos mais felizes seremos, por isso é que é preciso aprender a viver o momento presente deixando fluir o que não se pode mudar. A felicidade é um caminho que escolhemos seguir e as pessoas que escolhemos para nos acompanhar.

As pessoas mais felizes recordam o seu passado com gratidão; alegram-se com o seu presente e olham para o futuro sem qualquer ansiedade ou medo. O futuro é construído a cada instante da vida, com as nossas escolhas e decisões do momento.

Crónica escrita em 13/04/2019, para ser publicado na “BIRD Magazine”, tendo em atenção as regras do novo acordo ortográfico.

Afinal ainda não saímos da austeridade

Ao fim de 4 anos de governação “geringonçada” e já no final da legislatura, o governo vem confirmar aquilo que sempre negou durante a governação socialista e apoiada pelos partidos de esquerda, os comunistas e os bloquistas: afinal ainda não saímos da austeridade. Foi preciso a “vedeta” do momento, o atual ministro das finanças e presidente do “Eurogrupo” (Mário Centeno) dizer isso mesmo a um jornal estrangeiro, o britânico “Financial Times”.

Por diversas vezes, o primeiro ministro e o ministro das finanças, assim como diversos dirigentes socialistas afirmaram, e até vociferaram vezes sem conta, que tínhamos saído da crise que governo anterior tinha provocado. Afinal foi preciso uma reportagem inglesa para desmentir tudo aquilo que os socialistas e seus aliados de esquerda andaram a dizer durante 4 anos. Só que já se sabia desta realidade, pois os investimentos na saúde, na educação e nas obras estruturantes do país estão completamente parados, desde que a “geringonça” chegou ao poder.  

Os verdadeiros culpados da crise que ainda vivemos tem rosto e nome: José Sócrates e os seus ministros e apoiantes, com António Costa à cabeça, que foi o seu número 2, no pior governo de sempre, em tempo de democracia: o governo «socrático». Estes governantes socialistas deixaram o país numa crise tão profunda, que tiveram de pedir ajuda internacional, que ainda hoje estamos a pagar.

Só por curiosidade: sempre que o país teve de pedir ajuda internacional, porque as finanças públicas estavam à beira da rotura (três vezes - 1977, 1981 e 2011), os governos que solicitaram ajuda eram chefiados pelo secretário geral do PS de então (Mário Soares - 1977 e 1981; José Sócrates - 2011). Depois, para «endireitar» as contas públicas, os partidos conservadores foram chamados a governar em tempo de crise, por isso é que foram sempre apelidados de “maus da fita”.

Foi na reportagem do “Financial Times”, que o atual ministro das finanças (Mário Centeno), admitiu que não houve uma “drástica” reversão na austeridade durante a governação liderada pelo PS e apoiada pelos partidos de esquerda. Mas também afirmou (pasme-se!): o governo atual fez mudanças durante a legislatura, mas não foram grandes mudanças relativamente ao que estava a ser feito pelo anterior executivo (PSD/CDS-PP) liderado por Pedro Passos Coelho, que ainda hoje, a esquerda diz que a culpa de se viver em crise é dele. 

Os socialistas, comunistas e bloquistas devem ter ficado com a cara e as orelhas a arder ao lerem as afirmações de Mário Centeno, o superministro das finanças portuguesas e presidente do “Eurogrupo”. Os fervorosos apoiantes da “Geringonça” andaram durante 4 anos a dizer mal do governo anterior e afinal o governo que apoiam fez as mesmas coisas que fez o governo de Passos Coelho.

No mesmo dia que saíram a público as afirmações de Centeno sai também uma notícia pouca abonatória para si e para a governação da “Geringonça”: o défice de 2019 vai ser o triplo do que diz o governo. Afinal a “vedeta” Centeno também falha nas suas previsões… e muito!

Crónica escrita em 13/04/2019, para ser publicado no jornal “O Notícias da Trofa”, tendo em atenção as regras do novo acordo ortográfico.

Nepotismo socialista

O grande nepotista da história, Napoleão Bonaparte nomeou em 1809 três dos seus irmãos para reis de países ocupados pelo seu exército. Este imperador tinha muito a aprender com o atual primeiro ministro português António Costa que já teve a desfaçatez de ter nomeado quarenta familiares em funções públicas, incluindo pai, filha, marido e mulher no seu governo, e a lista de nomeações de familiares, cada dia que passa, não para de aumentar.  

Costa é o maior matreiro da política portuguesa, pois levou o seu Partido Socialista a ter estrondosa derrota eleitoral nas últimas eleições legislativas, um péssimo resultado eleitoral, a segunda maior derrota do seu partido. Mesmo assim conseguiu chegar ao topo do poder depois de ter derrubado com pouca ética o seu antecessor na liderança do partido e ser nomeado primeiro-ministro, casando com os partidos à sua esquerda, silenciando e esvaziando com toda a naturalidade quer os comunistas quer os bloquistas.

Também conseguiu passar por entre os “pingos da chuva” em acontecimentos graves que aconteceram no país (incêndio de Pedrogão; não divulgação da lista das vítimas dos incêndios; “lei da rolha” imposta aos comandantes dos bombeiros; descredibilização das instituições; roubo das armas no quartel de Tancos; e muitos mais). Também não pode ser esquecido o facto de António Costa ter sido número dois do pior governo português em democracia, o malfadado governo “socrático” e já ninguém fala deste facto político.

O nepotismo – o favorecimento de parentes em detrimento de pessoas mais qualificadas - tem o seu expoente máximo em António Costa. Este mestre do nepotismo nem sequer responde aos jornalistas, quando questionado sobre as suas escolhas terem batido todos os recordes de nomeações de familiares demorou imenso tempo a responder e só disse barbaridades e banalidades. Em França existe uma lei a proibir a contratação de familiares de deputados e ministros. Também nos Estados Unidos da América existe há muito tempo uma lei semelhante.

O mais perigoso do nepotismo desta monarquia socialista é que quando se tiver de tomar uma decisão no governo que tenha implicações graves num ministério onde estão familiares, quem é que o ministro vai preferir prejudicar? Mesmo que seja muito competente, o ministro vai escolher o familiar, em detrimento do Estado. Obviamente!    

A gravidade neste nepotismo terceiro-mundista é que o próprio Partido Socialista considera normal e, nos últimos tempos, foram vários defensores da “geringonça” que vieram a terreiro tentar justificar as nomeações familiares, com argumentos esfarrapados, para convencer os incautos, que a monarquia socialista é a melhor forma de governo a que os portugueses podiam aspirar. Em nenhum país democrático existe um governo com este tipo de relações familiares. Este nepotismo socialista é típico de monarquias absolutistas e de governos ditatoriais do terceiro-mundo.

Crónica escrita em 30/03/2019, para ser publicado no jornal “O Notícias da Trofa”, tendo em atenção as regras do novo acordo ortográfico.

Músicas da Revolução

Neste mês de abril é comemorado o 45º aniversário do 25A, a Revolução dos Cravos, como ficou conhecido o golpe militar que derrubou a ditadura do Estado Novo, que durou quase meio século. O Estado Novo foi assim apelidado por António Oliveira Salazar, que governou Portugal durante quase quatro décadas (de 1932 a 1968). Marcello Caetano foi o último Presidente do Conselho de Ministros do Estado Novo (1968 até 25 de abril de 1974).

Em 1974 a rádio foi crucial para o êxito que o 25 de Abril alcançou. A Rádio Clube Português foi transformada no posto de comando do MFA - Movimento das Forças Armadas e ficou conhecida como a “Emissora da Liberdade”. A canção “E Depois do Adeus” foi a primeira canção que serviu de senha para o 25 de abril. A canção foi cantada no Festival RTP da Canção, do qual saiu vencedora. Representou Portugal, a 6 de abril, no Festival Eurovisão ficando em último lugar, com apenas 3 pontos. A transmissão desta canção foi feita nos Emissores Associados de Lisboa, às 22h 55m do dia 24 de abril.

A razão da escolha desta canção é clara: não tendo conteúdo político (tipicamente uma canção de amor dos anos 1970) e sendo uma música em voga na altura, não levantaria suspeitas. Podia a revolução ser cancelada, se os líderes do MFA concluíssem que não havia condições efetivas para a sua realização. Embora pareça remeter para o adeus ao regime do Estado Novo, a canção em si é uma balada sem conteúdo político. A letra da canção é sobre um homem que se encontra perdido depois do fim de uma intensa relação amorosa, provavelmente um primeiro amor. 

A letra da canção foi escrita com a escolha de pequenas frases das cartas que José Niza enviava à sua mulher, Isabel, quando estava em Angola, como militar, na Guerra Colonial. No meio do seu vazio, ele conclui que o amor traz felicidade e sofrimento ("Amar é ganhar e perder"), ao ganhar um novo relacionamento segue-se o perdê-lo. Os autores da canção “E Depois do Adeus”, que serviu de senha para o 25 de abril foram: José Niza (letra); José Calvário (música) e Paulo de Carvalho (cantor).

A ideia do Otelo Saraiva de Carvalho (o estratega do 25A) era que a primeira senha fosse o "Venham Mais Cinco", de José Afonso. Mas foi o jornalista João Paulo Diniz que o convenceu de que essa canção, de um autor proibido pelo regime poderia levantar suspeitas e sugeriu "E Depois do Adeus", que poderia ser tocada sem soar qualquer alarme.

A canção “Grândola, Vila Morena” de Zeca Afonso foi a segunda senha e o sinal efetivo de saída dos quartéis. E deveria ouvir-se mais tarde, entre a meia noite (00H00) e a uma hora (01H00), do dia 25 de abril de 1974, através do programa da Rádio Renascença. A canção deveria ser transmitida com a seguinte sequência: leitura da estrofe do poema (Grândola Vila Morena / Terra de fraternidade / O povo é quem mais ordena / Dentro de ti ó cidade). A canção foi transmitida no programa “Limite” da Rádio Renascença, pelo locutor de serviço Manuel Tomás, à meia noite e vinte (00H20M). A transmissão na emissora católica, de uma música claramente política de um autor proibido daria a certeza aos militares revoltosos de que já não havia volta atrás, que a revolução era mesmo para arrancar.

"Grândola Vila Morena" foi escrita por José Afonso em 17 de maio de 1964, praticamente dez anos antes da revolução, quando conduzia um automóvel com que regressava a Lisboa, acompanhado pelos guitarristas Fernando Alvim e Carlos Paredes, depois de ter atuado na inspiradora vila alentejana de Grândola. O tema seria depois gravado em França, em 1971 e aqueles passos que se ouvem no início não são de soldados, pois foram captados em estúdio numa espécie de encenação do tipo de ambiente criado pelos grupos corais alentejanos. 

Estas foram as verdadeiras canções de abril.

Crónica escrita em 30/03/2019, para ser publicado na “BIRD Magazine”, tendo em atenção as regras do novo acordo ortográfico.

À procura do elixir da juventude

Nos últimos anos, a esperança média de vida tem aumentado muito, o que se tem verificado desde o início do século XX. Estamos a viver mais, nem sempre melhor é verdade, mas continuamos à procura do elixir da juventude, com diversas equipas de investigadores a proclamarem que estão perto de alcançar a fórmula tão desejada de não envelhecermos. 

A procura da fórmula do elixir da juventude atravessa continentes e séculos: os alquimistas acreditavam que o elixir da juventude se encontrava no ouro, cujas propriedades permitiriam a cura e a regeneração do organismo, prolongando a vida. Muitos sábios acreditavam que a água era o elixir tão desejado, pois era o fluído mais complexo e paradoxal que existia, com capacidade de carregar em si as forças mais puras ou cósmicas.

Ao longo dos tempos, as investigações nunca esmoreceram e continuaram com muito vigor, sempre à procura da fórmula que proporcione ao ser humano uma longa vida, que elimine a decrepitude, que suavize o envelhecimento. Investigadores descobriram a molécula mais importante para a nossa existência: sem essa molécula morreríamos em menos de um minuto, por isso é que afirmam que estão a um passo de alcançar o elixir da juventude, destinado a eliminar a velhice.

Foi através das investigações modernas, que surgiu uma nova classe de medicamentos que manipulam as células do corpo humano para erradicar muitas doenças que surgem com a velhice, mas também para travar o envelhecimento. Estes medicamentos (senolíticos) são uma das invenções consideradas mais promissoras para o futuro, porque parece que têm a capacidade de “fazer o tempo andar para trás”. 

O objetivo destes medicamentos não é permitir que nos possamos manter jovens para sempre, mas melhorar as nossas condições de vida prevenindo doenças crónicas. Também se descobriu que evitar e controlar as calorias, não traz só benefícios a quem quer manter ou perder peso, pois está provado que serve igualmente para retardar o envelhecimento. Para que isto aconteça e para que não haja problemas de saúde é preciso haver uma redução de calorias em percentagem de 20% a 40% e também não haver privação de nutrientes.

À procura do elixir da juventude anda uma equipa de cientistas há décadas nas ilhas japonesas de Okinawa, no Mar da China Oriental, que tenta descobrir os segredos da longevidade da população dessa ilha, tanto nos seus genes como no seu estilo de vida. Os habitantes mais velhos desta ilha, não só têm a maior expetativa de vida do que qualquer outra pessoa na Terra, como a maior parte da sua vida é vivida em condição de saúde excelente.

O tipo de alimentação dos habitantes da ilha de Okinawa é o oposto das atuais dietas da moda, pois tem uma alta proporção de hidratos de carbono em relação às proteínas, com uma abundância de batata doce, como fonte da maior parte das suas calorias.  Será que a dieta de Okinawa é o segredo para uma vida longa e saudável?

Ainda é muito cedo para este tipo de dieta sugerir quaisquer mudanças de estilo de vida com base nestas observações, mas a hipótese merece atenção. Que venha o elixir da juventude e que traga qualidade de vida enquanto por cá andarmos!

Crónica escrita em 16/03/2019, para ser publicado na “BIRD Magazine”, tendo em atenção as regras do novo acordo ortográfico.