25 -June -2019
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Músicas da Revolução

Neste mês de abril é comemorado o 45º aniversário do 25A, a Revolução dos Cravos, como ficou conhecido o golpe militar que derrubou a ditadura do Estado Novo, que durou quase meio século. O Estado Novo foi assim apelidado por António Oliveira Salazar, que governou Portugal durante quase quatro décadas (de 1932 a 1968). Marcello Caetano foi o último Presidente do Conselho de Ministros do Estado Novo (1968 até 25 de abril de 1974).

Em 1974 a rádio foi crucial para o êxito que o 25 de Abril alcançou. A Rádio Clube Português foi transformada no posto de comando do MFA - Movimento das Forças Armadas e ficou conhecida como a “Emissora da Liberdade”. A canção “E Depois do Adeus” foi a primeira canção que serviu de senha para o 25 de abril. A canção foi cantada no Festival RTP da Canção, do qual saiu vencedora. Representou Portugal, a 6 de abril, no Festival Eurovisão ficando em último lugar, com apenas 3 pontos. A transmissão desta canção foi feita nos Emissores Associados de Lisboa, às 22h 55m do dia 24 de abril.

A razão da escolha desta canção é clara: não tendo conteúdo político (tipicamente uma canção de amor dos anos 1970) e sendo uma música em voga na altura, não levantaria suspeitas. Podia a revolução ser cancelada, se os líderes do MFA concluíssem que não havia condições efetivas para a sua realização. Embora pareça remeter para o adeus ao regime do Estado Novo, a canção em si é uma balada sem conteúdo político. A letra da canção é sobre um homem que se encontra perdido depois do fim de uma intensa relação amorosa, provavelmente um primeiro amor. 

A letra da canção foi escrita com a escolha de pequenas frases das cartas que José Niza enviava à sua mulher, Isabel, quando estava em Angola, como militar, na Guerra Colonial. No meio do seu vazio, ele conclui que o amor traz felicidade e sofrimento ("Amar é ganhar e perder"), ao ganhar um novo relacionamento segue-se o perdê-lo. Os autores da canção “E Depois do Adeus”, que serviu de senha para o 25 de abril foram: José Niza (letra); José Calvário (música) e Paulo de Carvalho (cantor).

A ideia do Otelo Saraiva de Carvalho (o estratega do 25A) era que a primeira senha fosse o "Venham Mais Cinco", de José Afonso. Mas foi o jornalista João Paulo Diniz que o convenceu de que essa canção, de um autor proibido pelo regime poderia levantar suspeitas e sugeriu "E Depois do Adeus", que poderia ser tocada sem soar qualquer alarme.

A canção “Grândola, Vila Morena” de Zeca Afonso foi a segunda senha e o sinal efetivo de saída dos quartéis. E deveria ouvir-se mais tarde, entre a meia noite (00H00) e a uma hora (01H00), do dia 25 de abril de 1974, através do programa da Rádio Renascença. A canção deveria ser transmitida com a seguinte sequência: leitura da estrofe do poema (Grândola Vila Morena / Terra de fraternidade / O povo é quem mais ordena / Dentro de ti ó cidade). A canção foi transmitida no programa “Limite” da Rádio Renascença, pelo locutor de serviço Manuel Tomás, à meia noite e vinte (00H20M). A transmissão na emissora católica, de uma música claramente política de um autor proibido daria a certeza aos militares revoltosos de que já não havia volta atrás, que a revolução era mesmo para arrancar.

"Grândola Vila Morena" foi escrita por José Afonso em 17 de maio de 1964, praticamente dez anos antes da revolução, quando conduzia um automóvel com que regressava a Lisboa, acompanhado pelos guitarristas Fernando Alvim e Carlos Paredes, depois de ter atuado na inspiradora vila alentejana de Grândola. O tema seria depois gravado em França, em 1971 e aqueles passos que se ouvem no início não são de soldados, pois foram captados em estúdio numa espécie de encenação do tipo de ambiente criado pelos grupos corais alentejanos. 

Estas foram as verdadeiras canções de abril.

Crónica escrita em 30/03/2019, para ser publicado na “BIRD Magazine”, tendo em atenção as regras do novo acordo ortográfico.

Nepotismo socialista

O grande nepotista da história, Napoleão Bonaparte nomeou em 1809 três dos seus irmãos para reis de países ocupados pelo seu exército. Este imperador tinha muito a aprender com o atual primeiro ministro português António Costa que já teve a desfaçatez de ter nomeado quarenta familiares em funções públicas, incluindo pai, filha, marido e mulher no seu governo, e a lista de nomeações de familiares, cada dia que passa, não para de aumentar.  

Costa é o maior matreiro da política portuguesa, pois levou o seu Partido Socialista a ter estrondosa derrota eleitoral nas últimas eleições legislativas, um péssimo resultado eleitoral, a segunda maior derrota do seu partido. Mesmo assim conseguiu chegar ao topo do poder depois de ter derrubado com pouca ética o seu antecessor na liderança do partido e ser nomeado primeiro-ministro, casando com os partidos à sua esquerda, silenciando e esvaziando com toda a naturalidade quer os comunistas quer os bloquistas.

Também conseguiu passar por entre os “pingos da chuva” em acontecimentos graves que aconteceram no país (incêndio de Pedrogão; não divulgação da lista das vítimas dos incêndios; “lei da rolha” imposta aos comandantes dos bombeiros; descredibilização das instituições; roubo das armas no quartel de Tancos; e muitos mais). Também não pode ser esquecido o facto de António Costa ter sido número dois do pior governo português em democracia, o malfadado governo “socrático” e já ninguém fala deste facto político.

O nepotismo – o favorecimento de parentes em detrimento de pessoas mais qualificadas - tem o seu expoente máximo em António Costa. Este mestre do nepotismo nem sequer responde aos jornalistas, quando questionado sobre as suas escolhas terem batido todos os recordes de nomeações de familiares demorou imenso tempo a responder e só disse barbaridades e banalidades. Em França existe uma lei a proibir a contratação de familiares de deputados e ministros. Também nos Estados Unidos da América existe há muito tempo uma lei semelhante.

O mais perigoso do nepotismo desta monarquia socialista é que quando se tiver de tomar uma decisão no governo que tenha implicações graves num ministério onde estão familiares, quem é que o ministro vai preferir prejudicar? Mesmo que seja muito competente, o ministro vai escolher o familiar, em detrimento do Estado. Obviamente!    

A gravidade neste nepotismo terceiro-mundista é que o próprio Partido Socialista considera normal e, nos últimos tempos, foram vários defensores da “geringonça” que vieram a terreiro tentar justificar as nomeações familiares, com argumentos esfarrapados, para convencer os incautos, que a monarquia socialista é a melhor forma de governo a que os portugueses podiam aspirar. Em nenhum país democrático existe um governo com este tipo de relações familiares. Este nepotismo socialista é típico de monarquias absolutistas e de governos ditatoriais do terceiro-mundo.

Crónica escrita em 30/03/2019, para ser publicado no jornal “O Notícias da Trofa”, tendo em atenção as regras do novo acordo ortográfico.

Está a chegar o folclore eleitoral

Nos próximos três anos, os portugueses vão ser convidados a participar em seis atos eleitorais seguidos, com as seguintes eleições: Parlamento Europeu; Regionais da Madeira; Assembleia da República; Regionais dos Açores; Presidente da República; Eleições Autárquicas, no segundo semestre de 2021. São muitas eleições, num curto espaço de tempo.

Está a chegar o folclore eleitoral, que são as campanhas eleitorais, com muito comício, muito porco no espeto, muita música pimba e não só, muita gafe, muito marketing e muitas propostas cheias de nada. Vai ser uma permanente “festa” colorida, com muito ruído e muito dinheiro consumido.

A campanha eleitoral já começou há algum tempo, embora a campanha oficial para o Parlamento Europeu só deveria começar 12 dias antes da data das eleições, que serão no nosso país no dia 26 de maio. O Parlamento Europeu é a única instituição europeia eleita por sufrágio direto.

As novas regras sobre a composição do Parlamento Europeu entrarão em vigor nas próximas eleições europeias e Portugal volta a eleger 21 eurodeputados. Atualmente, o Parlamento Europeu tem 751 eurodeputados, mas com a saída do Reino Unido (Brexit) foram atribuídos 27 dos 73 lugares ocupados por deputados do Reino Unido a outros Estados-Membros, ficando 46 de reserva para futuros alargamentos.

 São mais de 360 milhões de pessoas que escolhem os seus representantes no Parlamento Europeu para os próximos cinco anos. Todos os cidadãos da União Europeia (EU) com idade igual ou superior a 18 anos - ou até mesmo 16 anos em alguns países - podem votar nas eleições europeias.

Quando o Parlamento Europeu preparou a sua proposta sobre a distribuição de eurodeputados em 2018 foi discutida a hipótese de ser criado um círculo eleitoral comum em todo o território da UE, que votaria para listas eleitorais transnacionais, para além dos lugares já atribuídos a cada Estado-Membro. No entanto, a iniciativa foi rejeitada em plenário. 

Com o alargamento a novos países na União Europeia deu-se um efeito estatístico muito curioso: de país pobre passamos a país remediado e de país pequeno passamos a ser um país de média dimensão. Agora na União Europeia é mais difícil fazer ouvir a “voz de Portugal”, por isso vai ser preciso sermos muito criteriosos e escolher os melhores, aqueles que têm capacidades de enfrentar os desafios que se levantam no seio da UE.

O que se deseja é que no decorrer das campanhas eleitorais não venham inaugurações e anúncios de obras e que nos debates entre candidatos ao Parlamento Europeu se discuta os verdadeiros assuntos europeus. Para os debates da política interna vamos também ter as eleições legislativas, que estão marcadas para o próximo dia 6 de outubro, que é o fórum certo para se discutir o mandato da “geringonça”. 

Crónica escrita em 16/03/2019, para ser publicado no jornal “O Notícias da Trofa”, tendo em atenção as regras do novo acordo ortográfico.

À procura do elixir da juventude

Nos últimos anos, a esperança média de vida tem aumentado muito, o que se tem verificado desde o início do século XX. Estamos a viver mais, nem sempre melhor é verdade, mas continuamos à procura do elixir da juventude, com diversas equipas de investigadores a proclamarem que estão perto de alcançar a fórmula tão desejada de não envelhecermos. 

A procura da fórmula do elixir da juventude atravessa continentes e séculos: os alquimistas acreditavam que o elixir da juventude se encontrava no ouro, cujas propriedades permitiriam a cura e a regeneração do organismo, prolongando a vida. Muitos sábios acreditavam que a água era o elixir tão desejado, pois era o fluído mais complexo e paradoxal que existia, com capacidade de carregar em si as forças mais puras ou cósmicas.

Ao longo dos tempos, as investigações nunca esmoreceram e continuaram com muito vigor, sempre à procura da fórmula que proporcione ao ser humano uma longa vida, que elimine a decrepitude, que suavize o envelhecimento. Investigadores descobriram a molécula mais importante para a nossa existência: sem essa molécula morreríamos em menos de um minuto, por isso é que afirmam que estão a um passo de alcançar o elixir da juventude, destinado a eliminar a velhice.

Foi através das investigações modernas, que surgiu uma nova classe de medicamentos que manipulam as células do corpo humano para erradicar muitas doenças que surgem com a velhice, mas também para travar o envelhecimento. Estes medicamentos (senolíticos) são uma das invenções consideradas mais promissoras para o futuro, porque parece que têm a capacidade de “fazer o tempo andar para trás”. 

O objetivo destes medicamentos não é permitir que nos possamos manter jovens para sempre, mas melhorar as nossas condições de vida prevenindo doenças crónicas. Também se descobriu que evitar e controlar as calorias, não traz só benefícios a quem quer manter ou perder peso, pois está provado que serve igualmente para retardar o envelhecimento. Para que isto aconteça e para que não haja problemas de saúde é preciso haver uma redução de calorias em percentagem de 20% a 40% e também não haver privação de nutrientes.

À procura do elixir da juventude anda uma equipa de cientistas há décadas nas ilhas japonesas de Okinawa, no Mar da China Oriental, que tenta descobrir os segredos da longevidade da população dessa ilha, tanto nos seus genes como no seu estilo de vida. Os habitantes mais velhos desta ilha, não só têm a maior expetativa de vida do que qualquer outra pessoa na Terra, como a maior parte da sua vida é vivida em condição de saúde excelente.

O tipo de alimentação dos habitantes da ilha de Okinawa é o oposto das atuais dietas da moda, pois tem uma alta proporção de hidratos de carbono em relação às proteínas, com uma abundância de batata doce, como fonte da maior parte das suas calorias.  Será que a dieta de Okinawa é o segredo para uma vida longa e saudável?

Ainda é muito cedo para este tipo de dieta sugerir quaisquer mudanças de estilo de vida com base nestas observações, mas a hipótese merece atenção. Que venha o elixir da juventude e que traga qualidade de vida enquanto por cá andarmos!

Crónica escrita em 16/03/2019, para ser publicado na “BIRD Magazine”, tendo em atenção as regras do novo acordo ortográfico.

A “arte” de falar em público

Num estudo recente, uma percentagem significativa de pessoas inquiridas (45%) disse ter medo de falar em púbico, só depois é que veio o fogo, a claustrofobia e outros medos. A realidade mostra que 3 em cada 4 pessoas tem glossofobia, o medo de falar em público, que se inclui entre as situações que mais criam medo, inibições, ansiedade e nervosismo.

São poucas as pessoas que conseguem enfrentar um público sem sentir um friozinho na barriga, as mãos suadas, o coração a bater bem forte e um pavor que percorre cada centímetro da pele. Sobe o sangue à cara e começamos a tremer ou, pior que isso, adotamos um tique extremamente irritante que não tínhamos há momentos, para além do pensamento se tornar lento e confuso e até nos esquecermos do discurso que tínhamos tão bem preparado e ensaiado. 

  Quando se fala em público é importante que os gestos e as posturas sejam naturais. Não existe técnica que possa ser mais importante que a naturalidade. Deve-se evitar os maneirismos, como por exemplo: torcer os dedos; mexer na roupa; estalar os dedos; esfregar as mãos e bater palmas. 

O contacto visual deve ser mantido com cada um dos membros da audiência, ou em cada direção, o mais frequentemente possível; não se deve utilizar roupas apertadas na cintura e no pescoço; deve-se evitar falar muito alto ou gritar; sussurrar também exige um esforço adicional das cordas vocais. Fumar muito faz mal à voz. Beber um pouco de água para repor a hidratação e nos intervalos comer maçãs, que são benéficas para a voz e ajudam a combater a secura.

 Devem ser pronunciadas bem as palavras que se querem transmitir, pois ao pronunciar bem uma palavra atinge-se o objetivo importante que é fazer com que a fala seja mais clara e compreensível.  A velocidade da fala deve ser apropriada para a mensagem ser bem transmitida e a respiração deve ser feita devagar e profundamente, para melhorar o fluxo de oxigénio para o corpo e, assim, o fluxo de sangue para o cérebro.

Para se cativar e entusiasmar a assistência é fundamental jogar com vários tipos de entoação, como por exemplo: se se quiser chamar a atenção para um aspeto ou ideia principal, deve subir de tom, caso se queira criar um clima de cumplicidade baixa-se o tom, como que a falar em segredo com cada uma das pessoas que está no público.

É preciso transmitir entusiasmo, convicção e confiança, assim como dar cor às apresentações usando exemplos e metáforas e evitar gíria e linguagem pouco usada. A exposição dever ser dividida em três partes: primeiro diz-se o que se vai dizer; depois diz-se o que se tem para dizer e no fim diz-se aquilo que se disse. Sempre com clareza, força e eficácia. A “arte” de falar em público é uma coisa que se aprende e que se vai aperfeiçoando. 

Crónica escrita em 16/02/2019, para ser publicado na “BIRD Magazine”, tendo em atenção as regras do novo acordo ortográfico.