06 -August -2020
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A arrogância política é uma exclusividade da esquerda

Quando a esquerda se senta na cadeira do poder tem por hábito apelidar de fascista quem protesta contra a governação, sejam camionistas, polícias, professores, enfermeiros, médicos ou simples cidadãos que protestam contra o encerramento das maternidades ou das urgências dos hospitais. Há obras prioritárias na ferrovia canceladas ou adiadas, linhas do metropolitano por finalizar e alunos sem aulas por falta de pessoal, mas se os cidadãos protestam são apelidados de fascistas.

Foi cómico e simultaneamente triste ver muitos políticos de esquerda, no funeral de um antigo presidente de um partido de direita a encherem a boca de elogios dizendo que ele tinha sido um dos pais da Democracia e um dos obreiros da entrada de Portugal na Comunidade Europeia, mas no passado apelidaram-no de fascista e durante a última campanha eleitoral vociferaram contra esse mesmo partido de direita e até chegaram a dizer que era um partido fascizante. O vento muda as ideias e altera as convicções destes políticos de pacotilha, que se vão acantonando em toda a esquerda, desde a esquerda moderada até à esquerda «caviar», esclerosada e extremista.

Essa mesma esquerda não sabe exaltar a multiplicidade, a diversidade e a riqueza da vida humana e não está aberta à pluralidade de opiniões, pois está infestada de gente de má índole, com tiques elitistas e falta de cultura democrática, e até de racistas, xenófobos e homofóbicos, que adoram ficar acantonados nos seus quintais ideológicos. São amantes da filosofia do fracasso e da pregação da inveja, mas também são militantes do protesto e dos bitaites, opinam absurdamente e o seu defeito intrínseco é quererem unificar as mentes e lutarem pela distribuição igualitária da miséria.

Quando um cidadão defende genuína e livremente as suas ideias, que a esquerda não gosta nem defende, como os valores da família, da vida, da pátria, do mérito, da tradição e da liberdade individual é de imediato apelidado de reacionário ou mesmo de fascista, por uma esquerda profundamente conservadora e assustadoramente complacente com a corrupção e tolerante com os corruptos, que nos querem fazer crer que são impolutos. Também por tudo isto é que lhe deve ser apontada, uma certa culpa pela ascensão do populismo e pelo surgimento de partidos fascistas ou fascizantes. 

A arrogância política é uma exclusividade da esquerda, assim como a mania da superioridade ética e moral, mas é a própria esquerda que celebra a revolução de outubro, apoia regimes déspotas e dispara barbaridades e epítetos aos que a contradizem, e até insinua que a direita é nazista, estúpida, imbecil e sofre de distúrbios mentais. A esquerda, como se considera polícia do pensamento implantou a ditadura do politicamente correto, pois pensa que é dona da razão, da seriedade, da verdade e até da liberdade.

Crónica escrita em 15/02/2020, para ser publicado no jornal “O Notícias da Trofa”, tendo em atenção as regras do novo acordo ortográfico.