20 -November -2019
Adicionar aos Favoritos

O governo engordou e vestiu nova roupagem

Ainda não tinha terminado a fase da contagem dos votos dos dois círculos eleitorais da emigração (Europa e fora da Europa), mas já estava a ser anunciada a constituição do XXII Governo de Portugal, num vazio de sentido e num claro desrespeito aos portugueses residentes no estrangeiro, como se os seus votos não tivessem o mesmo significado dos restantes portugueses. E depois os políticos vertem “lágrimas de crocodilo”, a lamentarem as elevadas taxas de abstenção!

O novo Governo Constitucional (o vigésimo segundo em quarenta e quatro anos de democracia), que foi constituído atabalhoadamente tem a particularidade de ter a morte anunciada, pois foi formado a pensar na governação só para dois anos, talvez para respeitar a média de duração dos governos no nosso país. Embora continue a ser chefiado por António Costa (o grande mestre das artes circenses), o novo governo nasce prematuro, fruto de uma imaginação doentia e fantasiosa, mas também enferma de uma sobreposição de poderes e de uma parolice de bradar aos céus, que deriva da inutilidade ao rebatizar os nomes dos ministérios ou na utilização de nomes pomposamente parolos.

Para além desta “pobreza franciscana”, este novo governo também tem tiques de um “novo-riquismo” confrangedor. O XXII Governo de Portugal é constituído por 70 elementos, muitos deles oriundos da máquina partidária, entre primeiro-ministro, ministros, ministros de estado e secretários de estado, que vão custar ao país 71 milhões de euros por ano, mais 7 milhões de euros que o anterior governo da “geringonça”, o que transforma este novo governo, no maior e mais caro de sempre! 

Para acrescer a este esbanjamento de dinheiros públicos, ainda devem ser contabilizados os custos dos respetivos assessores, adjuntos, secretárias e chefes de gabinete. Para além deste “exército” de políticos que vão ser nomeados, também vão ser contratados mais de 1.000 técnicos de diferentes áreas, para apoio dos gabinetes do governo e para colmatar a falta de experiência de muitos ministros e secretários de estado. Vai ser um número recorde de mais de 1.300 nomeações. É obra! Se o sucesso fosse medido em função do número de nomeações, o êxito deste novo governo estava garantido.

   O XXII Governo de Portugal, que quer enterrar de vez a “geringonça” está fadado a ter que a ressuscitar e ser de novo um governo “geringonçado”, pois serão os mesmos partidos que viabilizaram o governo anterior que vão viabilizar este governo, pelo menos até 2021. Durante estes próximos dois anos, o país vai viver numa paz artificial e muito teatral, pois nesse ano vamos ter eleições autárquicas e presidenciais, mas também vamos presidir, pela quarta vez e durante meio ano, ao Conselho da União Europeia. 

Felizmente vamos deixar de ouvir os governantes a dizer mal do governo anterior, pois a “geringonça” vai continuar a existir para apoiar muitas medidas que vão ser tomadas e votar favoravelmente os orçamentos anuais. A única mudança é que o governo engordou e vestiu uma nova roupagem muito pindérica! 

Crónica escrita em 26/10/2019, para ser publicado no jornal “O Notícias da Trofa”, tendo em atenção as regras do novo acordo ortográfico.