20 -November -2019
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É preciso repensar ou mesmo refundar a direita

Os resultados eleitorais das últimas eleições legislativas foram desastrosos para os partidos políticos que se posicionam no centro e na direita do espectro político português, principalmente para o CDS-PP que teve uma hecatombe eleitoral (4,25%) e para o PSD que teve mais uma derrota histórica (27,9%). Não vale a pena meter a cabeça na areia, como a avestruz, pois os resultados estão à vista de todos e já foram mais que escrutinados pela opinião pública.

Até parece que estes dois partidos caminham a largos passos em direção a um abismo político, depois de terem desbaratado em quatro anos, um património que foi difícil de construir e consolidar, ao longo de quatro décadas de democracia, muitas vezes em tempos bem difíceis e complicados, como foi no «verão quente» de 1975. Durante a última legislatura foram uma oposição frouxa e confrangedora, ora apresentando propostas a destempo e descabidas de senso político ora desaparecendo do combate político, para se refugiarem na penumbra do ócio.

Ao longo de quatro anos, quer o PSD quer o CDS-PP viveram em permanente guerra intestina que originou cisões, fissuras e desgaste. Também por isso, não conseguiram ser uma oposição forte e eficaz, nem souberam construir uma verdadeira alternativa à “geringonça”, como era seu dever, e o resultado desta caminhada aos solavancos foram os poucos votos que tiveram nas últimas eleições.

O desastre político do PSD não foi assumido por Rui Rio, enquanto Assunção Cristas apresentou a demissão da liderança do CDS-PP, que até tinha tido um brilhante resultado nas últimas eleições autárquicas. Em 2017, na candidatura à Câmara Municipal de Lisboa, Assunção Cristas conseguiu ficar em segundo lugar e atingir 20,6% dos votos, o dobro que tinha conseguido Paulo Portas em 2001, mas nas legislativas de 2019, em Lisboa, o CDS-PP apenas conseguiu ser o sexto partido mais votado, com apenas 4,4%.

A hecatombe eleitoral do PSD e do CDS-PP também se fez sentir no distrito do Porto, onde as lutas intestinas mais se fizeram sentir, principalmente no CDS-PP que mudou recentemente a sua liderança, contra a vontade nacional, mas com o apoio da estrutura da Trofa, que exigiu contrapartidas nada úteis para a concelhia, que esteve refugiada nos últimos anos na penumbra do ócio. 

O desastre eleitoral foi muito sentido no Concelho da Trofa, onde os dois partidos estão coligados e em maioria no executivo camarário, na assembleia municipal e nas freguesias, exceto na Freguesia do Coronado, mas o PSD apenas conseguiu 36,81% ganhando por 3 votos ao PS e o CDS-PP apenas conseguiu 3,41%. Tão pouco para dois partidos que estão no poder autárquico! 

Para que haja um futuro promissor é preciso repensar ou mesmo refundar a direita a todos os níveis, local e nacional, antes que aconteça o que aconteceu ao partido gaulista francês (RPR), que já foi um partido do poder e agora não conta para nada, pois desapareceu do mapa político. Os dirigentes do PSD e do CDS-PP devem deixar de olhar para o seu umbigo e colocarem os seus partidos, não a olharem para o seu quintal, mas para o país, que está ávido de uma direita forte e moderna disposta a fazer Portugal avançar na senda do progresso, e que combata eficazmente uma esquerda sem ideias, retrógrada e esclerosada, que está comodamente instalada na cadeira do poder.

Crónica escrita em 12/10/2019, para ser publicado no jornal “O Notícias da Trofa”, tendo em atenção as regras do novo acordo ortográfico.