16 -December -2019
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A quem não vou emprestar o meu voto

Estou convocado para no dia 6 de outubro ir votar nas eleições legislativas, para eleger a Assembleia da República, a sede da democracia, o órgão representativo de todos os cidadãos portugueses. A Assembleia da República desempenha um importante papel na democracia, pois engloba os nossos legítimos representantes, em quem abdicamos a favor da causa pública e neles depomos o poder da construção normativa à qual, posteriormente, nos iremos submeter.

Estas eleições também servem para premiar ou penalizar os partidos que na legislatura que agora termina representaram os cidadãos, quer tenham estado no poder quer tenham sido oposição, com a consciência que o meu voto serve para eleger deputados e não governos. Vou tentar escrutinar com independência, as propostas apresentadas, o trabalho desenvolvido e a eficácia do partido a quem emprestei o meu voto, nas eleições legislativas anteriores. 

Também vou ficar atento às notícias e aos debates entre os concorrentes, assim como à postura dos candidatos e ao programa eleitoral do seu partido, para depois decidir a quem vou emprestar o meu voto, que será seguramente, a quem defender valores próximos dos meus, mas que tenham preocupações com a solidariedade social e tenham propostas para uma saúde pública com qualidade e para a sustentabilidade da segurança social. Mas o que vai pesar mais na decisão de emprestar o meu voto vão ser as propostas concretas e realistas, que tenham preocupações com as pessoas e a sua felicidade, assim como propostas eficazes para o crescimento da nossa economia e de combate à pobreza e à corrupção.   

É meu entendimento que os partidos que apoiaram a governação, que contou com uma comunicação social dócil foram mestres na manipulação de factos e nas artes circenses, no populismo, na matreirice, no marketing e na contabilidade dos votos. Quanto aos partidos da oposição, embora alguns deputados tivessem desenvolvido um trabalho político meritório, os seus partidos tiveram uma oposição frouxa, ineficaz e confrangedora, ora entrando numa esquizofrenia desenfreada, com a apresentação de propostas a destempo e descabidas de senso político ora desaparecendo do combate político, para se refugiarem na penumbra do ócio.

Sempre defendi que a participação política ativa de um cidadão é um ato nobre de cidadania, por isso a Assembleia da República, que é o expoente máximo da democracia, não deve ser um antro de canastrões e oportunistas, muito menos de personalidades com falta de cultura democrática, impreparadas ou desonestas. Este tipo de personagens maléficas deve ser extirpado do mundo da política, o mais depressa possível, pois são uma ameaça à já fragilizada democracia. 

Também não vou emprestar o meu voto, a quem conseguiu ser candidato através de uma negociação feita às escondidas ou na troca de um prato de lentilhas. Um candidato a Deputado da Nação deve ser escolhido pelo seu mérito, com provas dadas ao longo do tempo, pela sua competência, por ser dedicado ao trabalho, às pessoas e às causas importantes como o desenvolvimento do país, a solidariedade, o ambiente e o combate à corrupção, mas também que seja reconhecido na sociedade com simpatia e proximidade com os eleitores.

Crónica escrita em 14/09/2019, para ser publicado no jornal “O Notícias da Trofa”, tendo em atenção as regras do novo acordo ortográfico.