16 -October -2019
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As mulheres estão de parabéns. Mais que merecidos!

O Parlamento Europeu depois de muitas rondas negociais elegeu duas mulheres de excelente craveira profissional e de currículos invejáveis, para presidir a duas organizações das mais importantes da União Europeia: Comissão Europeia (Ursula von der Leyen) e o Banco Central Europeu (Christine Lagarde). Estas duas instituições de relevância da política europeia vão ser presididas pela primeira vez, na história da União Europeia, por mulheres. É um feito histórico! 

Christine Lagarde (63 anos, mãe de 2 filhos) é uma advogada e política francesa filiada no partido “Os Republicanos”, Diretora-Gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), desde 2011. Esta política francesa também foi a primeira mulher a ocupar o cargo mais alto do organismo multilateral que é o FMI, depois de ter sido ministra no seu país (Agricultura e Pescas; Finanças, Indústria e Emprego; Comércio Externo).

Ursula von der Leyen (60 anos, mãe de 7 filhos) é uma médica e política alemã, tendo ocupado o cargo de ministra dos Assuntos Sociais, de 2005 a 2013 (onde se bateu, com sucesso, por diversas causas, nomeadamente o pagamento de licença parental e a introdução de uma quota para mulheres nas administrações das empresas). Ocupa, desde 2013, o cargo de ministra da Defesa, pasta que nunca tinha sido ocupada por uma mulher. Esta mulher é uma figura de proa da política germânica e chegou a ser a mais que provável sucessora da chanceler Angela Merkel, pois é desde 2010 vice-presidente do partido democrata-cristão alemão (CDU). 

As eleições no Parlamento Europeu, para as duas instituições de relevo foram de negociação difícil e de resultados inesperados, mas foi um feito histórico conseguido pelas duas presidentes eleitas, num cenário em que o Parlamento está fragmentado em diversos agrupamentos políticos constituídos por muitos e variados partidos e movimentos políticos. As mulheres estão de parabéns. Mais que merecidos!

As escolhas para a referidas lideranças europeias foram positivas e os mercados internacionais reagiram muito bem à escolha de Christine Lagarde para presidente do Banco Central Europeu, com a descida das taxas de juro. Foi uma das promessas de Lagarde, a continuidade de taxas de juro baixas, o que é muito bom para a Europa e para Portugal.

A tarefa de Ursula von der Leyen vai ser mais complicada, não só por ter sido eleita por uma margem reduzida, mas porque o seu discurso de candidata ficou marcado por mensagens ambientalistas e feministas e por palavras sobre a crise dos refugiados. A expetativa também está elevada, porque no atual parlamento, os populismos extremistas estão com mais representatividade, porque existe o problema para resolver do Brexit e também porque prometeu o salário mínimo europeu, que ninguém sabe como vai conseguir cumprir esta promessa eleitoral de difícil implementação. 

Boa sorte Ursula von der Leyen e Christine Lagarde, que bem precisam!

Crónica escrita em 20/07/2019, para ser publicado na “BIRD Magazine”, tendo em atenção as regras do novo acordo ortográfico.