16 -October -2019
Adicionar aos Favoritos

A saúde tem de estar mesmo mal em Portugal

Diz o ditado popular que “o pior cego é aquele que não quer ver”, que é uma expressão muito usada para definir as pessoas que fingem que não veem, que fazem vista grossa para um problema que pode ser atacado se encarado de frente. Este ditado popular pode ser aplicado às figuras do primeiro-ministro, da ministra da saúde e a muitos dos seus apaniguados, que não querem ver o que se está a passar na saúde em Portugal.

Para estes “figurões” da vida política portuguesa está tudo bem, só que no momento em que tentam passar esta mensagem na comunicação social sai a público a notícia que o número de cirurgias em atraso nos hospitais públicos duplicou nos últimos quatro anos. Ou seja, este descalabro do atraso das cirurgias, aconteceu durante a governação «geringonçada».

Mesmo perante estes factos indesmentíveis, o atual primeiro-ministro, na sua narrativa matreira, alega que são uma herança do anterior governo, aliás o que tem dito sempre, ao longo destes quatro anos de governação, sobre os problemas que não consegue resolver. E quando é contrariado manipula os factos e abusa dos truques de marketing político, para contra-atacar com argumentos de guerrilha política, que é a sua especialidade.

A estratégia de manipulação de factos e trocadilhos na comunicação também é utilizada pela governação, quando tenta justificar os cortes na saúde, a falta de investimentos, a falta de médicos, de enfermeiros e até do pessoal do INEM. É uma vergonha nacional o facto de as chamadas para o INEM, que é um Instituto de Emergência (!?!) Médica chegarem a demorar oito minutos a ser atendidas, quando a recomendação é para que as chamadas não demorem mais de sete segundos a ser atendidas.

Os médicos e os enfermeiros lutam pela dignidade da profissão, e por um melhor serviço Nacional de Saúde (SNS), mas também para que o governo aplique corretamente a legislação em vigor. A saúde tem de estar mesmo mal em Portugal, para a greve neste setor ter sido em simultâneo de todos as classes profissionais que trabalham na saúde: médicos, enfermeiros e restantes trabalhadores do setor, o que originou os serviços terem estado fechados, como por exemplo, nos hospitais do Algarve, em Aveiro, em Coimbra, no Porto e em Viana do Castelo. 

As principais falhas que são apontadas na saúde é a falta de manutenção e ausência de investimentos em equipamentos, a grave carência de pessoal e de material, que tem feito adiar várias intervenções cirúrgicas e, para agravar a situação, o montante da dívida a fornecedores no setor da saúde tem vindo a aumentar assustadoramente. Um dia terá de ser paga! 

Para quem está menos atento a estas questões ou mesmo para quem não quer ver, a adesão a esta greve no setor da saúde teve taxas de adesão elevadíssimas, muito superiores às taxas de adesão da greve semelhante ocorrida no governo anterior. A saúde tem de estar mesmo mal em Portugal. 

Crónica escrita em 06/07/2019, para ser publicado no jornal “O Notícias da Trofa”, tendo em atenção as regras do novo acordo ortográfico.