16 -October -2019
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Para onde vamos?

As pessoas que vivem sem sonhos, sem metas, sem objetivos de vida estão em permanente guerra interior, sempre preocupadas e insatisfeitas à espera não sabem de quê e caminhando na vida para alcançar um destino que não sabem como lá chegar, pois não sabem qual é. Sem objetivos de vida, a pessoa se perde no seu próprio labirinto e vive sem sentido, sem razão, insegura e em permanente desilusão e infelicidade.

O desnorte que acontece às pessoas que vivem e caminham na vida sem um rumo determinado é idêntico aos países que não têm objetivos claros e bem definidos do que querem ser no futuro, que tipo de país querem ser nas próximas gerações. E quando assim acontece, o país anda ao sabor do vento, como acontece com Portugal, que anda há muitos anos ao sabor do vento de Bruxelas: “ora abate a fruta ora abate a frota”.

Há quase 900 anos, quando o fundador da nacionalidade decidiu desenvolver o condado para ser um país independente marcou objetivos e traçou uma estratégia com muito sucesso. Passou da teoria à prática lutou e conseguiu fazer nascer um país, que rapidamente se expandiu, criando assim Portugal, que foi alargando o seu território para lá do Rio Tejo. 

Nos finais de século XV, o nosso país também começou a alargar o seu conhecimento das correntes e dos ventos, que permitiu definir novos objetivos, marcar rumos, para “dar novos mundos ao mundo”. Portugal foi o primeiro país a conhecer todo o oceano do Norte e do Sul, assim como a passagem para o Oceano Índico pelo Cabo da Boa Esperança e nas décadas seguintes conseguiu criar o Império do Oriente ligando Portugal até ao Japão, que veiou a ser o primeiro império global da história. 

O nosso país quando teve verdadeiros estadistas à frente dos destinos da nação traçou objetivos e marcou metas conseguindo ser uma nação próspera, influente e poderosa. Quando Portugal teve governantes fracos andou sem rumo, sem objetivos definidos passou por graves dificuldades até chegar à bancarrota várias vezes, como aconteceu ainda há bem pouco tempo.

Atualmente, o país está a dar sinais evidentes de estar de novo a colapsar e o pior que nos pode acontecer é voltar a ter de pedir ajuda externa. Para onde vamos? Ninguém sabe! O que se sabe é que o país se desindustrializou, está sem rumo, sem objetivos, não sabe o que quer ser daqui a duas décadas, não tem qualquer estratégia para deixar de viver à custa de subsídios e de empréstimos, que estão a aumentar substancialmente a dívida pública.

Portugal corre o risco de ser o país mais pobre da União Europeia e em simultâneo, a nossa dívida pública está a atingir valores históricos e já ultrapassou os 250 mil milhões de euros. É muito dinheiro que vamos ter de pagar! A solução está no crescimento da economia, que quase estagnou desde o início do século, só que para isso acontecer precisamos de ter governantes visionários, que tenham a capacidade de “ver para além da curva” e implementar políticas verdadeiramente inovadoras focalizadas no bem-estar e na felicidade das pessoas. 

Crónica escrita em 06/07/2019, para ser publicado na “BIRD Magazine”, tendo em atenção as regras do novo acordo ortográfico.