24 -January -2019
Adicionar aos Favoritos

O meu pedido de Natal: uma estratégia de combate à pobreza

A pobreza é um fenómeno multidimensional, que atinge números verdadeiramente pornográficos, pois existem mais de 2.000 milhões de pessoas em todo o mundo, que são considerados pobres. Infelizmente, estes números têm vindo a aumentar com o agravamento de indicadores sociais e de saúde, principalmente em países que possuem uma economia subdesenvolvida ou em desenvolvimento.

Em Portugal, os números da pobreza também são verdadeiramente pornográficos, pois mais de um quinto dos portugueses, cerca de dois milhões de pessoas como nós vivem numa grave privação de recursos, como a falta de rendimentos necessários para a satisfação das necessidades alimentares, o isolamento, a exclusão social, a vulnerabilidade, o acesso equitativo ao sistema judicial, a não existência de habitação e até transportes públicos acessíveis. No ano passado, segundo o INE, 23,3% da população em Portugal encontrava-se em situação de risco de pobreza ou exclusão social.  

  A pobreza tem sido um problema das políticas económicas erradas, que as diferentes governações têm tido ao longo dos anos. A pobreza é uma vergonha nacional; é um problema estrutural gravíssimo da sociedade, um atentado à dignidade humana, pois é indigno que um ser humano possa estar privado do direito básico de participar plenamente na vida social, económica, cultural e política da comunidade em que está inserido.

Não deve ser escamoteada a ideia de que em Portugal existe uma enraizada cultura de dependência do Estado, mas também não pode ser esquecido o facto de que a pobreza se reproduz, gera ciclos de vulnerabilidade social, processos de exclusão e de desfiliação social. Até a própria Cidadania está desligada, pois a pobreza condiciona os acessos aos direitos, à participação social e política.  

Para além do quadro triste da pobreza, ainda existe uma realidade chocante nas ruas das cidades, que são os sem-abrigo. Neste tempo de noites gélidas, o nosso quotidiano está povoado desses seres que se colocaram à margem da sociedade, dita civilizada. E já são alguns milhares! Estas constatações são uma violência que fazem partir o coração. São uma triste realidade, que não podem ser combatidas com indiferença, mas com a intolerância de quem considera a pobreza um atentado criminoso contra a dignidade humana.

 O meu pedido de Natal é uma estratégia eficaz, sem objetivos eleitoralistas, de combate à pobreza e à exclusão social tendo em atenção que a pobreza não é uma estatística, mas uma triste realidade social à qual nenhum português pode ficar alheio. É preciso, urgentemente, uma estratégia autónoma de combate à pobreza, onde seja envolvida toda a sociedade, uma estratégia transversal, que olhe para a pobreza, mas também para a justiça, para a riqueza a criar, para o trabalho, para a habitação, para a educação, para a saúde.

Não se trata de ajudar os pobres a viver melhor na pobreza, mas fazer tudo para que saiam dignamente da pobreza abrindo caminho para que deixem de ser pobres. É preciso dar às pessoas pobres a oportunidade de deixarem de ser pobres, e não de serem um pouco menos pobres.

Votos de Festas Felizes e um Fabuloso Ano de 2019. Para todos!

Crónica escrita em 21/12/2018, para ser publicado na “BIRD Magazine”, tendo em atenção as regras do novo acordo ortográfico.