19 -August -2018
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Somos o arquiteto do nosso futuro

A forma frenética de se viver nos dias de hoje faz com que fique por cumprir o preceito rigoroso da felicidade que é apreciar a vida e saborear lentamente cada momento que passa, para que o amanhã não chegue muito depressa. Neste tempo em que é quase tudo tão volátil é preciso estar ancorado e viciado na vida e espalhar alegria na embriaguez da felicidade.

A história da humanidade é também a história da felicidade, são linhas que se cruzam o tempo inteiro. Embora sendo um enigma que tem inquietado a humanidade, a felicidade transporta consigo um sentimento maravilhoso, que nos transmite bem-estar e uma paz interior, um estado de satisfação e equilíbrio físico e psíquico, em que o sofrimento, a inquietude e a tristeza são transformados em emoções agradáveis, que vão desde o simples contentamento até à alegria intensa de viver. 

A felicidade no momento presente compreende dois aspetos bastante distintos: prazeres e gratificações. Enquanto os prazeres são satisfações com componentes sensoriais e fortemente emocionais; são passageiros e envolvem pouco ou nenhum raciocínio, as gratificações são atividades que gostamos muito de praticar e nos envolvem. 

A gratificação dura mais que o prazer, envolve raciocínio e interpretação, não cria hábito facilmente e está apoiada nas nossas forças e virtudes. Os prazeres são importantes, porém o que mais gera gratificação é a utilização das nossas forças pessoais naquilo que fazemos. A felicidade entra quase sem darmos por ela por uma porta que não sabíamos ter deixado aberta, pois encontra-se nas abundantes gratificações que conseguimos ter e conservar. 

Quando abraçamos a vontade de ser feliz desenvolvemos todo o nosso potencial, vivemos com paixão e enchemos o coração com uma esperança imensa, sentimos gratidão pelo facto de a viagem que é a vida nos ter trazido até mais perto dos nossos sonhos. E um sonho só se poderá concretizar se antes tivermos tido coragem de o sonhar. 

O sonho e a felicidade são calmantes, em estado puro, fornecidos gratuitamente pela natureza. Abusemos destas “substâncias”, tomemos uma dosagem bem forte e deixemo-nos levar nas suas ondas.

Quando se está em comunhão com a vida e se vai cerzindo com ternura as linhas do futuro, somos capazes de voar nas asas da esperança, agarrando com garra a vontade indomável de ser feliz. Ao namorar a vida com paixão, ficamos menos dispostos a desperdiçar o tempo, deixamos de ter medo da nossa própria sombra, ficamos menos dispostos a escutar pessoas negativas, menos dispostos a perder uma oportunidade de sermos carinhosos, bondosos e generosos. A vida se abrirá, assim que o coração se abrir.

Para se sentir o cheiro suave da felicidade e deliciar a fragrância duma vida feliz é preciso regar o jardim das nossas emoções e arejar a mente do cheiro bafiento dos problemas mal resolvidos com o passado. Sempre com a ideia que somos o arquiteto do nosso futuro, pois o destino desenrola-se de acordo com as escolhas que fazemos no presente.

Crónica escrita em 12/05/2018, para ser publicado na “BIRD Magazine”, tendo em atenção as regras do novo acordo ortográfico.