21 -June -2018
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Mitómano

Algumas pessoas que gravitam no mundo da política são mentirosos e utilizam a arma da mentira com muita facilidade, até alteram o seu curriculum para serem aceites em certos cargos públicos, como se tem verificado nos últimos tempos. O político mente porque sente necessidade de conseguir uma boa imagem e conquistar as pessoas, de as seduzir para o apoiar e votar nele, e assim ter alguma hipótese de chegar ao poder que tanto anseia. 

O político mente porque também depende da simpatia alheia para conseguir cativar os votos, mas também mente porque tem de fazer promessas, de dizer que as suas propostas são melhores que as dos adversários e de falar de um futuro risonho e feliz. Como fala de um futuro imprevisível, nem mesmo ele sabe qual é a verdadeira “verdade”, por isso é que aprende a utilizar a arma da mentira, para manter uma imagem pública agradável e favorável, mas também para ocultar aquilo que possa prejudicar ou destruir a sua imagem, que tanto lhe custou a conquistar.

Mas não são só os políticos que têm tendência impulsiva para a mentira, são muitas as pessoas que têm a tendência para contar mentiras, não apenas em situações do imediato ou por pressão social, mas por características da sua própria personalidade. A mitomania afeta as pessoas com um nível de autoestima baixo e não tem classe social definida, embora sejam as figuras públicas que ficam para a história mais facilmente.

O Nobel da Literatura de 1999, o alemão Günter Grass criou uma nova identidade e confessou ter pertencido à Waffen-SS nazista. O antigo presidente dos EUA, Richard Nixon teve de renunciar ao cargo provocado pelas revelações sobre o escândalo político do caso Watergate tornando-se o primeiro e único presidente a renunciar. O mitómano francês Jean-Claude Roman, não era uma figura pública, mas entrou para a história pelos piores motivos, pois enganou a família durante muitos anos ao fingir ser médico de uma organização internacional, matando os pais, mulher e filhos para não ter de contar a verdade.

Muitas vezes o objetivo do mitómano é ser o centro das atenções, com o objetivo de fazer parte de um grupo ou para evitar a perda do afeto de outra pessoa. Outras vezes mente para manipular os outros, para esconder acontecimentos do passado que possam prejudicar a sua situação profissional e económica, a sua imagem social ou mesmo o seu poder. E ainda outras vezes mente porque sim, sem qualquer propósito a não ser mentir.

A tendência para contar mentiras compulsivamente começa no final da adolescência e acompanha o mitómano ao longo da sua vida, se não se quiser submeter a um tratamento médico. A mitomania, o mentir patológico requer uma dose forte de imaginação delirante, pois adultera dados ou suprime informações e reinventa os acontecimentos dando-lhes um colorido quando as coisas são apenas a preto e branco. 

Crónica escrita em 14/04/2018, para ser publicado no “BIRD Magazine”, tendo em atenção as regras do novo acordo ortográfico.