15 -November -2018
Adicionar aos Favoritos

Centelhices

Mário Centeno, o atual ministro das finanças do governo português desde 26/11/2015 e presidente do Eurogrupo eleito em 4/12/2017 é natural de Olhão e licenciado em Economia (1990), mestre em Matemática Aplicada (1998) pelo Instituo Superior de Economia e Gestão da Universidade Técnica de Lisboa, e mestre (1998) e doutorado (2000) em Economia pela Harvard Business Scholl da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos da América.

Centeno foi economista do Banco de Portugal, a partir de 2000, e diretor-adjunto do Departamento de Estudos Económicos, de 2004 a 2013, e membro do Comité de Política Económica da União Europeia, de 2004 a 2013, no mesmo período em que foi presidente do Grupo de Trabalho para o Desenvolvimento das Estatísticas Macroeconómicas, no Conselho Superior de Estatística. É também professor universitário do Instituto Superior de Economia e Gestão da Universidade de Lisboa.

Embora tenha um currículo académico e técnico notável, Mário Centeno manifesta uma assinalável falta de habilidade política, pois as aselhices e asneiras políticas têm sido bastantes, mais do que seria expetável para um governante da sua estirpe. As suas asneiras só têm alimentado a descrença dos cidadãos na classe política e a degradação da imagem dos governantes, nesta fase em que a comunicação social tem sido inundada de casos reais e muitas suspeitas de corrupção no exercício de cargos públicos e políticos.

Quando Centeno tem de fazer conferências de imprensa, a sua postura assustadiça e a sua descorada fazem com que pareça uma “barata tonta”, sem saber o que fazer e o que dizer, o que tem reforçado a sua imagem de político fraco e frouxo. A sua fragilidade política foi salva muitas vezes pelo pronto-socorro do primeiro-ministro, quando já se encontrava a um passo do precipício, como aconteceu no processo de nomeação e posterior demissão de António Domingues, da administração da Caixa Geral de Depósitos e a polémica sobre entrega da declaração dos rendimentos.

O ambiente de tensão entre Centeno e o Banco de Portugal já se arrasta desde o início deste governo, com divergências e dificuldades de entendimento em diversas matérias importantes para o país, como é o caso do valor dos dividendos a distribuir pelo Banco de Portugal ao seu acionista Estado. O mesmo aconteceu com a proposta de reformulação do modelo de supervisão financeira, que também provocou divergências graves.

O rol dos episódios das “Centilhices” veio a engrossar, com a divulgação de um pedido absurdo de dois bilhetes para assistir, o ministro e o filho, na bancada presidencial a um jogo de futebol, a que assistiram. Argumentou o ministro que o pedido foi feito por razões de segurança, só que violou o código de conduta, já aprovado na data do pedido dos bilhetes, depois das viagens pagas pela “Galp”, aos seus camaradas de governo e secretários de Estado, para assistir a um jogo do Campeonato Mundial de Futebol.

Crónica escrita em 03/02/2018, para ser publicado no Jornal “O Notícias da Trofa”, tendo em atenção as regras do novo acordo ortográfico.