15 -November -2018
Adicionar aos Favoritos

O sentido de Estado que faltou

A atual política doméstica está carente de homens e mulheres com ideias políticas inovadoras, que tenham uma postura responsável e moderna, e um forte sentido de Estado. Muitos dos políticos das últimas gerações, que agora se sentam na cadeira do poder, obviamente não sabem, mas também nunca quiseram saber, o que é o sentido de Estado.

Os cidadãos que não estão envolvidos na política ativa têm uma visão distante do mundo da política e também precisam de saber que o Estado somos nós e as opções que tomamos, para ver se deixam de dizer “eles” os políticos, pois “eles” saem do meio de nós, “eles” somos nós. Estamos numa república e não numa monarquia, pois numa monarquia é que os cidadãos podem dizer “eles”, quando se querem referir aos políticos que normalmente são oriundos da aristocracia.

Enquanto o Estado é o conjunto das instituições que asseguram a administração de um país, e possuem a autoridade e o poder para regular o funcionamento da sociedade, garantindo a existência de um país soberano e reconhecido internacionalmente pelos seus pares; os governantes são aqueles que, temporariamente exercem cargos nas instituições que constituem o Estado, para gerirem os bens de um território, de um país.

É recorrente esbarrarmos os nossos olhos com políticos fracos, que fazem baixar, aos olhos do povo que tem o coração estilhaçado em tristeza, o nível da classe política, que está recheada de políticos sem sentido de Estado. Depois é óbvio que se reflete no tipo de governantes que são muito fracos na governação da coisa pública, mas são exímios na colocação nas esferas do poder de familiares, amigos e amigos dos amigos, mais os boys que os ajudaram a guindar-se ao poder. 

Em alternativa a este tipo de governantes, o mundo atual precisa com urgência de Estadistas. A diferença entre uns e outros é abismal: enquanto o governante governa para as próximas eleições, o Estadista governa para as próximas gerações. 

O nosso país está a precisar de políticos de livre pensamento que consigam ver para além das mentiras e inverdades tradicionais do poder instalado, que tenham um forte sentido de Estado e não se comportem como vermes famintos de poder, pois só assim é que poderão ser entendidos e reconhecidos pelo povo que os elegeu. O Estado português também precisa, cada vez mais, de cidadãos de corpo inteiro, com sentido crítico, pois sem consciência crítica seremos sempre servos do poder.

 O atual primeiro-ministro da governação do nosso país demonstrou uma falta de sentido de Estado, ao assinar como secretário-geral do seu partido socialista, uma posição favorável a listas transnacionais nas eleições para o parlamento europeu. Se assim vier a acontecer haverá uma redução do número de deputados eleitos em cada país, incluindo Portugal. 

Com esta posição favorável de listas transnacionais, António Costa atraiçoou os países pequenos e médios demonstrando ser um joguete dos poderosos alemães e franceses. É o sentido de Estado que lhe faltou.

Crónica escrita em 20/01/2018, para ser publicado na “BIRD Magazine”, tendo em atenção as regras do novo acordo ortográfico.