23 -April -2018
Adicionar aos Favoritos

Costa passou por entre os «pingos da chuva»

É tradicional nesta época fazer-se uma reflexão sobre os acontecimentos importantes, e foram muitos e alguns bem graves, que decorreram ao longo do ano que agora termina, embora neste momento só vá fazer apenas uma análise sobre alguns casos relevantes, e apenas algumas situações da atuação do atual primeiro-ministro. Em tempo de balanço é incontornável fazer uma análise sobre as trapalhices, as habilidades e as matreirices de Costa, principalmente ao longo deste último ano.

António Costa que é um verdadeiro artista obcecado pelo poder, embora tenha perdido as eleições foi guindado ao mais alto cargo da governação do país e tem conseguido passar por entre os «pingos da chuva» sem se molhar. Aliás, como já tinha conseguido passar incólume quando foi o número dois do pior governo que Portugal teve nas últimas décadas, o governo de má memória, o governo socrático. 

Perante a maior tragédia que aconteceu em Portugal, devido aos incêndios de Verão, em que quase tudo foi dantesco, Costa passou muito ao lado do incêndio sem se chamuscar ao de leve e mais uma vez passou por entre os «pingos da chuva», talvez por ter optado ir a banhos, para uma praia mediterrânica, em plena catástrofe. O mesmo aconteceu com o famigerado e malfadado SIRESP, que tem originado graves problemas no combate aos incêndios, não funciona de forma eficaz, é caro, não é fiável e foi renegociado pelo governo socrático, pelo número dois do governo, António Costa. Imagine-se que os tempos eram outros!

Também passou por entre os «pingos da chuva» quando os seus secretários de estado viajaram por conta da “Galp”, para assistirem ao jogo de futebol Portugal/Hungria, em França e se recusaram a demitir. Só passado um ano é que apresentaram a sua demissão, porque foram constituídos arguidos num processo movido pelo Ministério Público, mas Costa passou entre os «pingos da chuva». 

O mesmo aconteceu com o caso recente das “raríssimas”, em que um seu ministro e um secretário de estado estiveram envolvidos na polémica, mas parece que nada é com Costa, pois mais uma vez passou por entre os «pingos da chuva», como acontece com o grave problema da interiorização que nada se faz, do adiamento das reformas estruturais tão necessárias ao desenvolvimento do país, da praga dos falsos recibos verdes e do trabalho precário, da falta da atratividade do investimento, da agregação das freguesias que Costa prometeu rever mas nada fez, do aumento assustador das despesas do estado e da divida pública do país, que continua a aumentar para valores históricos. 

A não construção dos poucos quilómetros, para ligar o metro de superfície do ISMAI à Trofa (em substituição do comboio «surripiado» em 2002) e a não construção das variantes à Trofa (circular e alternativa à EN14) continuam a não sair do papel há dezenas de anos, mas até parece que Costa não é o primeiro-ministro deste país, que tem o poder de decidir a construção destes equipamentos tão importantes para o desenvolvimento de uma região. A humilhação e os insultos à Trofa e aos trofenses continuam, mas Costa consegue passar por entre os «pingos da chuva». 

E os portugueses assistem incrédulos ao espetáculo de António Costa, com os seus trocadilhos, as suas matreirices, as suas trapalhices habituais, a sua falta de pudor, a sua falta de escrúpulos, a sua falta de humildade democrática e o seu narcisismo primário. É o regresso da narrativa socrática no seu pior estilo!

Crónica escrita em 23/12/2017, para ser publicado no Jornal “O Notícias da Trofa”, tendo em atenção as regras do novo acordo ortográfico.