17 -December -2017
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Sexting: o namoro e o sexo virtual

Com o avanço tecnológico verificou-se um aumento das múltiplas formas de namoro à distância, aliás como já se tinha verificado com as mensagens de textos sexualmente sugestivas e explícitas enviadas pelos telemóveis. Na atualidade é a divulgação de imagens pessoais de fotografias e vídeos de conteúdo sensual, erótico ou mesmo de sexo explícito.

Para a definição desta nova forma de namorar à distância, já existe o anglicismo “Sexting”, que resulta das palavras “sex” (sexo) e “texting” (envio de mensagens) e nasceu num artigo de uma revista australiana. Esta prática foi criada à volta de 2005, pelos jovens e adolescentes norte-americanos, mas expandiu-se rapidamente para todo o mundo, porque os meios necessários para a sua utilização são de fácil acesso, como é a internet, as câmaras fotográficas digitais, as câmaras de vídeo de baixo custo e os telemóveis da nova geração.

Depois de terem enviado pelo mundo virtual uma fotografia ou um vídeo não se consegue mais controlar o seu uso e divulgação, pois propaga-se com facilidade podendo atingir rapidamente os milhões de utilizadores que passam a ter essas imagens no seu computador. A facilidade que a internet proporciona deve preocupar toda a sociedade, devido aos riscos de estímulo à pornografia infantil e ao aumento exponencial que se pode verificar no número de pessoas a praticar “sexting”.

Já são muitos os casos de chantagem emocional exercida pelos namorados virtuais sobre os autores das fotografias ou vídeos, com ameaça e concretização da sua divulgação pelos familiares, mas que acabam também por ser publicadas nas redes sociais afetando a sua reputação. É uma nova forma de praticar “bullying” sobre os jovens e adolescentes e que se identifica pelo termo técnico de “ciberbulling”.

Este tipo de ameaça também tem sido exercido através da chantagem sobre adultos, principalmente mulheres, que enviaram para o seu namorado virtual fotos e vídeos sensuais ou mais ousados, mas caíram no domínio público (muitas vezes por vingança). Esta divulgação pela internet, de imagens do foro privado, para além de afetar a reputação para toda a vida, também pode provocar graves traumas psicológicos.

Na grande maioria das vezes as mensagens ou imagens íntimas são enviadas por uma jovem ou adolescente, com motivações diversas, no contexto de uma relação de namoro e a justificação é que não ficará grávida nem desenvolverá uma doença sexualmente transmissível. Quanto ao argumento utilizado pelo seu namorado virtual, para a exigência de imagens cada vez mais ousadas é a necessidade de uma prova do seu amor. 

Nesta prática viciante e substituta de outras formas de relacionamento é recorrente encontrar-se uma jovem que se atreveu a fugir de casa para ter um encontro promissor com o amigo virtual, no desejo de ter uma relação real com o seu príncipe encantado que conseguiu gerar em si sonhos coloridos. Só que se depara com um verdadeiro camafeu, que utilizava um perfil falso como tantos que navegam nas ondas do mundo virtual. E assim se destrói uma reputação, se desmorona um sonho, se desfaz uma esperança, se pinta de negro o futuro!  

Crónica escrita em 11/10/2017, para ser publicado na “BIRD Magazine”, tendo em atenção as regras do novo acordo ortográfico.