17 -December -2017
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Independentes não. Dissidentes!

Para as próximas eleições autárquicas há candidaturas para todos os gostos: partidos políticos, coligações partidárias, movimentos políticos locais (alguns a cheirar a um passado bafiento de putrefação) e independentes (puros, camuflados ou “camaleónicos”). Os movimentos políticos locais podem ser uma boa solução para combater a descrença e o absentismo que grassa na política, desde que não sejam o abrigo do ódio, da mentira, dos interesses obscuros, nem dos mentecaptos da política que se pintam de independentes. 

A saga das cisões também atingiu os movimentos de independentes originando outras candidaturas ditas independentes. O mesmo aconteceu nos partidos e um caso paradigmático é a cisão verificada no PS de Matosinhos que originou uma lista partidária, mas contestada pela concelhia e mais duas candidaturas independentes oriundas da família socialista. Uma dessas candidaturas independentes tem a sigla “SIM”, como é o caso da candidatura igualmente dita independente, que nasceu de uma cisão do PSD de Espinho e batizada também com a sigla “SIM”, aliás como muitas outras candidaturas que surgiram por todo o país. Que falta de originalidade! Em muitos casos o SIM mais parece um convite ao NÃO. 

Em Vila do Conde há uma lista designada de independente que mais não é do que uma cisão do PS local. Já em Castanheira de Pêra surgiu também uma lista denominada de independente “Todos por Castanheira”, que é apoiada pelo CDS e tem a particularidade de ter a número dois a cantora Ágata. Provavelmente é a política a descer ao mais baixo nível da vulgaridade, como acontece em muitos lugares deste país. Infelizmente!

Um caso caricato é o que está a acontecer com as candidaturas na Vidigueira, no Alentejo, em que o atual Presidente da Câmara, eleito pela CDU, não apoia o candidato da CDU, que foi seu assessor e despediu de forma particularmente brutal. Tudo isto porque o PCP não apoiou a candidatura da sua vice-presidente, que por acaso (ou não!) é a sua namorada. Esta “novela mexicana” rodada na Vidigueira veio a aumentar ainda mais o profundo desprezo que o PCP tem pelo fenómeno dos independentes. 

Com alguma matreirice à mistura algumas candidaturas de dissidentes de partidos ou de movimentos políticos locais travestem-se de virgens inocentes e autointitulam-se independentes. Há exceções, mas não é pelo simples facto de se autointitularem de independentes que o são. Pelo contrário, muitas dessas listas estão presas a interesses partidários ou interesses locais, económicos e até pessoais. Como são tantos os casos em que isso se verifica pode-se afirmar com rigor: Independentes não. Dissidentes! Muitas vezes dissidentes ressabiados pelas cisões que eles próprios criaram dentro do seu partido ou do seu movimento ‘político local a que estiveram ligados.

Mas será que existem candidaturas autárquicas verdadeiramente independentes? Sim, ainda existem algumas “pérolas” independentes, como são os exemplos da candidatura "O Nosso Partido é o Porto" que ganhou as anteriores eleições e que se apresenta de novo a escrutínio, assim como o antigo "MIM-Movimento Independente do Muro", que geriu os destinos da Freguesia do Muro, no Concelho da Trofa, na transição do século, e esteve empenhado até ao “tutano” na luta pela criação do Concelho. Talvez por isso é que ainda hoje o “MIM” se mantém bem vivo na memória e no coração dos murenses e dos trofenses.

Nestes dois exemplos de candidaturas autárquicas verdadeiramente independentes, não existiu qualquer interesse mesquinho de natureza pessoal ou político-partidário. No caso do antigo “MIM-Movimento Independente do Muro”, os elementos que constituíram o executivo da junta de freguesia, assim como os elementos da mesa da assembleia de freguesia, nunca tinham pertencido a qualquer partido político ou a qualquer movimento político local, nem criaram qualquer cisão, não se moverem por interesses pessoais, não utilizaram a mentira, nem jorraram ódio. Nem antes nem durante os seus mandatos. 

 “O Nosso Partido é o Porto” e o “MIM - Movimento Independente do Muro”, para além de terem sido uma pedrada no “charco” são uma referência e um exemplo do que é a verdadeira independência. Cada um na sua dimensão e na sua natureza!

Crónica escrita em 02/09/2017, para ser publicado no Jornal “O Notícias da Trofa”, tendo em atenção as regras do novo acordo ortográfico.