A Trofa, o Metro e as Eleições Presidenciais
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Já lá vão mais de 12 anos, que os trofenses conseguiram a sua carta de alforria. Foi uma jornada, que ficou conhecida pela “Ida a Lisboa Buscar o Concelho”. Milhares de trofenses rumaram à capital para dizer ao poder político que a Trofa exigia dignidade, exigia autonomia.
Essa histórica jornada teve o mérito de unir as gentes da Trofa. Eram mulheres e homens, jovens e menos jovens, patrões e empregados, professores e alunos todos de braço dado nas calçadas lisboetas a gritarem:
Viva a Trofa! E conseguiram passar a imagem para todo o país, que um Povo lutador de causas em prol da dignidade é merecedor de admiração e respeito. Assim aconteceu: espalhou-se por todo o país, a imagem de civismo e de lutadores dos trofenses. Foi bonito de se ver, foi ainda mais bonito participar.
Pouco depois de conseguirem a carta de alforria, foi retirado a uma parte significativa dos trofenses o seu meio de transporte habitual, já muito antigo, o comboio de “via estreita”, com a promessa de o substituir rapidamente, na primeira fase de construção do Metro de Superfície do Porto.
Já passaram nove anos, já passou a primeira fase e já passaram muitas e muitas promessas. O Governo, pela voz da Secretária de Estado dos Transportes, Ana Paula Vitorino, esteve na Trofa a fazer a apresentação do projecto já elaborado e com tantos milhões já gastos, onde garantiu a execução da obra.
A governanta declarou que esta construção servirá para compensar os problemas causados pela falta de transporte ferroviário na região, cujos serviços foram interrompidos em 2002 devido à construção do Metro.
Recentemente, o Presidente do Conselho de Administração da Empresa Metro do Porto declarou que a linha da Trofa nunca avançará antes de 2014.
Perante tanta promessa não cumprida, os trofenses indignaram-se e criaram o Movimento Cívico “Metro à Trofa”, a partir da Freguesia do Muro, a mesma de onde partiu toda a organização da “Ida a Lisboa Buscar o Concelho” e onde esteve instalada a única sede da Comissão Promotora do Concelho da Trofa. Estão também a de correr várias iniciativas de sensibilização, como outdoors, faixas apelativas, etc. Existe também uma petição online, já com alguns milhares de subscritores, para ser entregue na Assembleia da República.
O Movimento Cívico faz um apelo ao “não voto”. No próximo domingo vão ser muitos os trofenses que se vão manifestar contra aquilo que lhe “surripiaram” há nove anos e vão mostrar que sentem a sua dignidade ferida.
Todo o cidadão tem direito à indignação e esses muitos trofenses, como os Murenses vão mostrar ao poder político, e ao país, que têm dignidade. Os que ignoram a Trofa no caso “Metro”, a Trofa ignora-os em eleições!
Artigo escrito em 17/Janeiro/2011 para ser publicado no JN–Jornal de Notícias
