17 -December -2017
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O prolongamento da linha do metro de superfície, do ISMAI até à Trofa (prometido há quase duas décadas), infelizmente tem sido um assunto recorrente. É preciso recordar mais uma vez, que uma parte significativa dos trofenses ficou sem o seu meio de transporte tradicional, o comboio que tinham desde 1932 e foi desativado no longínquo ano de 2002, com a promessa de ser construído em quatro anos o metro de superfície, aproveitando o canal existente. Promessa nunca cumprida!

Em contrapartida, neste espaço temporal, as obras de prolongamento da rede de metro da capital têm sido uma constante e vão continuar, enquanto a Trofa e os trofenses esperam e desesperam pela reposição do seu meio de transporte, que lhes foi "surripiado" há muitos anos ou a construção do meio de transporte prometido, o metro de superfície. 

A desculpa “esfarrapada”, para o não cumprimento desta promessa, tem sido a viabilidade económica e a crise financeira. É uma nova versão da “conversa da treta”, sem qualquer dúvida, pois nunca existiu um estudo honesto de viabilidade económica, assim como não pode ser culpada a crise financeira. Atente-se ao facto de existir uma vontade governamental de se efetuar um gigantesco investimento na rede do metropolitano de Lisboa, onde o dinheiro não falta, nem vai faltar! O que existe (e sempre existiu) é falta de vontade política.

Há cerca de meio ano foi o negócio da Carris, em que o Governo entregou à Câmara Municipal de Lisboa a empresa, com todo o seu património, e ficando o governo (todos nós, através dos nossos impostos) de pagar a dívida acumulada de quase mil milhões de euros. E quem ficou beneficiado com mais este negócio ruinoso? Apenas os lisboetas!

Há quatro meses, a governação anunciou a construção em Lisboa, de duas novas estações do metro e o prolongamento de menos de mil e novecentos metros, ligando o Rato ao Cais de Sodré, onde vão ser gastos mais de 215 milhões de euros. 

Há poucos dias foi anunciado, através do Ministério do Ambiente, que a rede do Metropolitano de Lisboa vai ser prolongada em mais quatro quilómetros e serão construídas quatro novas estações (Estrela, Santos, Campolide e Amoreiras), para além de uma ligação pedonal subterrânea, entre a futura estação das Amoreiras e o bairro de Campo de Ourique. Este novo anúncio governamental indica que a obra ficará concluída em cinco anos e serão gastos mais 684 milhões de euros. 

Nestes dois prolongamentos da rede do metro da capital, a governação vai investir quase mil milhões de euros, em apenas quatro quilómetros e seis novas estações, em zonas onde existem transportes alternativos (elétricos e autocarros), ao contrário da zona da Trofa, que ficou sem o seu meio de transporte tradicional e não tem transportes alternativos, dignos desse nome.

É uma vergonha nacional, pois para Lisboa tudo, ou quase tudo, enquanto para o “resto do país” nada, ou quase nada! A humilhação e os insultos à Trofa e aos trofenses continuam. Até quando?

Crónica escrita em 13/05/2017, para ser publicado no Jornal “O Notícias da Trofa”, tendo em atenção as regras do novo acordo ortográfico.